O cenário de destruição deixado pela queda de um monomotor em Capão da Canoa, no Litoral Norte gaúcho, nesta sexta-feira (3), poderia ter tido um número de vítimas ainda mais catastrófico. O restaurante atingido pela aeronave deveria estar em pleno funcionamento no momento do acidente, mas uma decisão tomada há apenas dois dias salvou a vida de pelo menos dez pessoas.
De acordo com o empresário Douglas Roos, proprietário do estabelecimento que funciona há uma década no local, o plano inicial era abrir as portas para o almoço de Sexta-feira Santa. No entanto, o desejo de realizar pequenos reparos adiou o cronograma da equipe.
A operação do restaurante estava prevista para retornar no dia 1º de abril, mas o proprietário optou por estender a manutenção até o dia 10. “Há dois dias decidimos que não abriríamos hoje porque eu queria fazer umas pequenas reformas. Se não fosse isso, estaria toda a equipe trabalhando: minha família e mais seis ou sete colaboradores”, relatou Roos.
O empresário estima que mais de dez pessoas estariam dentro do imóvel no instante em que o avião, que havia acabado de decolar do aeródromo vizinho, colidiu contra a estrutura.
Embora o prédio tenha sido completamente destruído pela explosão e pelo incêndio que se seguiu, Douglas Roos demonstra resiliência diante da perda material. Visivelmente abalado, ele classificou a ausência de funcionários e familiares como um "milagre".
“É um livramento. Só tenho a agradecer a Deus porque minha família e meus colaboradores não estavam ali dentro. Agora é trabalhar para reconstruir de novo”, afirmou o empresário.
A área segue isolada para o trabalho da perícia e do Corpo de Bombeiros. O acidente resultou na morte das quatro pessoas que estavam a bordo da aeronave — um casal de empresários e dois pilotos. Não houve feridos em solo.


