BRASÍLIA - A irritação entre aliados não é apenas do PP e demais partidos do centrão. Até mesmo no PMDB há cobranças por mudanças na Esplanada dos Ministérios. A pressão maior está sobre o cargo do ministro Antônio Imbassahy, responsável pela articulação política. Os críticas afirmam ele não tem controle nem sobre o próprio partido, o PSDB, que rachou na votação da denúncia contra o presidente Michel Temer. Do total da bancada tucana, 22 votaram com Temer e 21 a favor da denúncia.
Vice-líder do PMDB, o deputado Hildo Rocha (MA), fez coro às cobranças feitas pelo líder do PP na Câmara, deputado Arthur Lira (AL). Ontem, como O GLOBO mostrou, o PP verbalizou a insatisfação dos partidos do centrão e apresentou a fatura pela lealdade na votação da denúncia. Os partidos avisaram que neste clima não há como votar a reforma da Previdência.
— O presidente que escolhe ministros, mas tem que ter espaço quem está com o governo. Foi uma votação para saber se o presidente Temer continuava ou não. E há uma debandada dos deputados do PSDB. Se o partido está rachado, o tamanho dele na Esplanada dos Ministérios está muito grande — disse Hildo Rocha, que participou da sessão da comissão sobre reforma política.
Ele argumentou que não foi uma votação qualquer e sim uma denúncia do Ministério Público que poderia acabar com o governo Temer.
Mas há reclamações em todos os partidos que se esforçaram para dar os votos que derrubaram a denúncia contra Temer.
— Tem um ministro da articulação que não articula nem o partido dele — resumiu um deputado próximo ao próprio Temer.
No Palácio do Planalto, há preocupação com as reações. Interlocutores de Temer avaliam que o governo não soube capitalizar a vitória que teve, que simplesmente significou a permanência do mandato do presidente. Imbassahy não esconde que está se sentindo pressionado e tem confessado aos próprios parlamentares que está "cansado". Mas o Ministério das Cidades é outro "objeto do desejo" de partidos do centrão.

