BRASÍLIA — Em entrevista, economista Rodrigo Schneider afirma que houve redução no índice de homicídios após implementação do Estatuto do Desarmamento. Ele analisou a relação entre o Estatuto do Desarmamento e as taxas de homicídios em 2004, ano seguinte da entrada da lei em vigor
Um ano após a implementação, houve uma redução de 10,8% nos homicídios por armas de fogo no Brasil. Isso equivale a quase quatro mil vidas poupadas pela lei. Interpreto esse resultado da seguinte forma: ao dificultar o acesso às armas, você diminuiu o número de confrontos letais. Poderia haver alguma coisa acontecendo simultaneamente à lei que poderia alterar os resultados, mas os homicídios cometidos sem uso de armas de fogo não tiveram alteração, o que confirma a hipótese. A política foi bem efetiva: fez a pessoa, pelo menos, ter mais medo de sair na rua e sofrer consequências de andar com arma de fogo, ficar preso.
Os efeitos foram heterogêneos, e a lei beneficiou desproporcionalmente mais jovens negros que vivem em bairros ou municípios mais perigosos. Os ganhos da proibição do porte de armas, apesar de serem grandes, são concentrados em uma parcela da população que não tem voto suficiente, poder econômico e poder de engajamento político suficiente. É interessante ver o recorte de bairros do município de São Paulo: os bairros mais perigosos são os que mais votam pela proibição da arma. Quem está mais sofrendo pelo crime é quem está realmente disposto a obstruir a disseminação de armas no país.
