SÃO PAULO — Dois policiais militares e um guarda civil municipal começaram a ser julgados na tarde desta segunda-feira acusados de participarem da que deixou 17 pessoas mortas no dia 13 de agosto de 2015, em , na Grande são Paulo. O conselho de sentença, que vai definir pela culpa ou inocência dos acusados é formado por três mulheres e quatro homens.
Os policiais militares Fabrício Emmanuel Eleutério, de 32 anos, e Thiago Barbosa Henklain, de 30, e o guarda civil Sérgio Manhanhã, de 43, respondem pelos assassinatos que teriam sido cometidos para vingar as mortes de um policial e de um guarda, na semana anterior.
Houve atraso para início do julgamento, que pode durar de uma semana a dez dias, porque uma testtemunha não localizada até o começo de tarde foi encontrada em casa e, só então, ouvida a partir das 16h. Ao todo, serão 28 testemunhas, de 43 listadas inicialmente.
Os acusados vão responder por homicídios dolosos (com intenção de matar) qualificados (por motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima), tentativas de homicídio e formação de quadrilha.
Victor Cristilder Silva dos Santos, de 32 anos, é o quarto policial militar acusado de participação, mas, apesar de ser réu no mesmo processo, será julgado separadamente, em data ainda indefinida, porque sua defesa recorreu à Justiça da decisão que o levou a júri popular.
Em fevereiro, a juíza Élia Kinosita Bulman, da Vara do Júri e das Execuções Criminais de Osasco determinou que os quatro réus seriam levados a julgamento no Tribunal do Júri.
No processo, consta que os acusados teriam cometido 24 crimes de homicídio — 17 consumados e sete tentativas. Ao anunciar a decisão, a magistrada afirmou que há elementos suficientes nos autos que comprovam a participação dos réus.
“Os elementos colhidos são de molde a se concluir que todos os réus devem ser julgados pelo Tribunal do Júri, pois há elementos suficientes de autoria, não se comprovando os álibis que trouxeram, e a singela narrativa restou, assim, isolada, de modo que a análise aprofundada das provas acerca da participação de cada um dos réus deverá ser feita pelo Juízo competente”.
Quatro testemunhas foram ouvidas no primeiro dia de julgamento, que terminou por volta de 20h30 desta segunda-feira. Nesta terça-feira, o júri será retomado às 10h com o depoimento de uma testemunha sigilosa, portanto sem a presença de jornalistas.

