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Quando a relação entre políticos e músicos não dá bossa

RIO — Não é raro políticos se apropriarem de canções populares para usá-las em propagandas, e a ideia nem sempre dá bossa. O último episódio de dissonância entre um artista e um político veia à tona na noite dessa quarta-feira, quando a cantora Marisa Monte soltou um comunicado para pedir ao prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), que retire do ar um vídeo com uma música de sua autoria, usada para divulgar a inauguração de obras no Parque Ibirapuera. Foram vários os casos recentes de políticos que tiveram problemas pelo mesmo motivo. Conheça alguns:

No início de novembro deste ano, a 52ª Vara Cível do Rio determinou que o tirasse do ar um vídeo em que usava a imagem de e um trecho da música “O tempo não para”. O pedido foi feito à Justiça pela mãe do cantor e compositor, Lucinha Araújo, que declarou: “Fiquei indignada porque ele usa meu filho para propagar as ideias erradas dele. O que meu filho acreditava é totalmente oposto ao que ele acredita. Se ele estivesse vivo, acharia isso um desaforo”. No vídeo, Feliciano atacava novelas da Rede Globo, acusando a emissora de “incentivar seu filho a ser gay ou lésbica”.

Em outubro deste ano, ao ver o cantar “Tudo está no seu lugar”, na Câmara dos Deputados, para comemorar a vitória da base governista na votação que decidiu pelo arquivamento de denúncia contra o presidente Michel Temer, o autor da música, , lançou um vídeo na internet em que esbravejava: “Tudo está no seu lugar é o c*! Tá tudo errado!”. Depois, disse ao GLOBO: “Pus as pessoas por dentro do meu pensamento, de que não faço parte dessa estupidez. O deputado não tem nada que se meter na minha música. Eu não me meto no trabalho dele!”. Em entrevista a outro jornal, chegou a chamar Marun de “babaca”, mas ressaltou que não pretendia processá-lo. Batendo palmas e dançando, o deputado foi filmado parodiando o refrão da música: “Tudo está no seu lugar, graças a Deus, graças a Deus. Surramos mais uma vez essa oposição, que não consegue nenhuma ganhar”.

Em julho também deste ano, o foi condenado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) a pagar indenização por ter usado a música “O portão”, de , em sua propaganda eleitoral de 2014. A decisão confirmou a condenação de Tiririca em primeira instância, em 2015. Na ocasião, o juiz responsável pelo caso, Márcio Teixeira Laranjo, afirmou que a propaganda “não tem como finalidade o humor, o lazer, a diversão dos telespectadores. Aliás, programa eleitoral, gratuito e obrigatório, não é — ou ao menos não deveria ser — programa humorístico”. Na peça, Tiririca aparecia caracterizado como Roberto Carlos e substituía os versos “Eu voltei, agora pra ficar... Porque aqui, aqui é o meu lugar” por “Eu votei, de novo vou votar... Tiririca, Brasília é seu lugar”.

Em 2013, veiculou uma paródia da música “Eduardo e Mônica”, da Legião Urbana, ironizando a aliança entre o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e a ex-senadora Marina Silva, ambos do PSB, e o caso acabou na Justiça. O filho de , Giuliano Manfredini, entrou com uma notificação extrajudicial de violação ao direito autoral contra o diretório nacional do PPS, em Brasília, e conseguiu a retirada da canção da internet. Um dos trecho da paródia dizia: “Ela falava coisas sobre sustentabilidade / também ecologia e metabolização / E o Eduardo ainda estava no esquema: escola, hospital, porto, transposição”.

Na campanha de à Presidência dos Estados Unidos, no ano passado, vários artistas se manifestaram contra o uso de suas músicas em peças de propaganda e comícios. reclamaram publicamente de terem suas músicas usadas sem permissão.

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