BRASÍLIA - O governo pode perder 35 votos na Câmara e sete no Senado se a Comissão Executiva Nacional do PSB decidir, em reunião nesta segunda-feira na sede do partido, fechar questão contra a aprovação das três reformas em tramitação nas duas Casas: a reforma da previdência, trabalhista e política. Segundo fontes ligadas ao presidente nacional da legenda, Carlos Siqueira, o debate interno está intenso há uma forte tendência de o partido de, em decisão oficial, fechar questão contra as reformas.
Com o Ministério das Minas e Energia ocupado pelo deputado Fernando Coelho Filho, Siqueira defende que o partido não pode apoiar reformas “que acabem com direitos sociais”. Em defesa dos “ideais socialistas”, o presidente do PSB diz que não se pode confundir governos com o partido.
Hoje pela manhã, ao participar do Seminário Nacional dos Prefeitos do PSB, Carlos Siqueira fez um discurso forte contra as reformas e contra o prefeito de São Paulo, João Dória, do PSDB, um dos nomes cotados para a disputa do Planalto em 2018.
— Quero avisar os navegantes que já existe uma decisão do Congresso Nacional do partido, de 2014, unânime, contrária a reforma trabalhista que tem no seu cerne o negociado sobre o legislado. Isso é um absurdo inaceitável e só farão, e se fizerem, por cima de nós e não conosco — discursou Siqueira, convocando os militantes a engrossarem a greve geral do dia 28 contra as reformas.
Publicamente, Siqueira sempre foi contra a participação do PSB com cargos no governo Michel Temer e sempre deixou claro que a indicação de Fernando Coelho para o Ministério das Minas e Energia foi uma negociação pessoal do seu pai, o senador Fernando Bezerra Coelho (PE), líder do PSB no Senado. Junto com Bezerra está o vice-governador de São Paulo, Márcio França, e líder do partido na Câmara, Teresa Cristina, que vai defender o não fechamento de questão e dizer que o PSB , no Congresso, vai pressionar para o Governo só votar as reformas no ano que vem.
Mas o presidente da Fundação João Mangabeira, Renato Casagrande, o vice-presidente Beto Albuquerque, e outras lideranças expressivas, estão alinhadas com Siqueira.
— É preciso termos o mínimo de coerência. Quem não tiver coerência não venha para o partido socialista brasileiro, procure outra casa, nós não estamos querendo só quantidade. O partido teve um resultado extraordinário nas eleições municipais — discursou Carlos Siqueira, sem mencionar cargos do partido no governo, em caso de rompimento oficial.
Com o PSB em pé de guerra com a cúpula do PSDB em São Paulo, que não aceita patrocinar a candidatura do vice-governador, Márcio França, ao governo do estado no ano que vem, Carlos Siqueira fez duros ataques ao prefeito João Dória, apontado como o novo na política.
— Dizerem que não é político e disputar eleição é canalhice, que põe uma farda de gari quando nunca varreu a calçada da própria casa, isso é canalhice do senhor Dória, isso é canalhice de quem é político e diz que não é. Nós somos políticos e nos orgulhamos de ser políticos. Porque a política é a principal atividade, a mais nobre que se pode exercer na humanidade. E político socialista é mais nobre ainda porque tem ideais nobres, porque tem ideais que vão além de um governo — atacou Carlos Siqueira.

