Início Brasil Procuradores decidem nesta terça-feira se aceitam acordo de delação de Funaro
Brasil

Procuradores decidem nesta terça-feira se aceitam acordo de delação de Funaro

BRASÍLIA - Procuradores da República responsáveis pela Operação Lava-Jato devem se reunir amanhã com advogados para acertar os detalhes finais do acordo de delação do operador financeiro Lúcio Bolonha Funaro, um dos principais cúmplices do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Procuradores vão responder se aceitam ou não os termos da delação sugerido pelo operador. As revelações de Funaro podem complicar a situação do presidente Michel Temer e de um expressivo número de parlamentares, sobretudo da bancada do PMDB na Câmara, segundo disse ao GLOBO uma fonte que acompanha o caso de perto.

Se a proposta for aceita, Funaro deve começar a depor imediatamente sobre cada um dos casos de corrupção sobre os quais prometeu falar. Um dos principais obstáculos à conclusão do acordo tem sido a divergência sobre as penas. Procuradores querem impor ao operador uma pena de dez a 12 anos de prisão. Funaro disse que, nestes condições, não aceitaria a delação. Ele acha que, com as revelações que tem a fazer, teria direito a sair da prisão até o fim deste ano, quando completaria um ano e seis meses na cadeia. Funaro está preso desde 1º de julho do ano passado.

As revelações do operador podem atingir Temer de forma direta e indireta. Num depoimento no início do mês passado à Polícia Federal, Funaro reforçou parte das acusações do empresário Joelsey Batista contra o presidente. O operador disse que, de fato, o ex-ministro Geddel Vieira Lima atuava como interlocutor de Batista no governo. A substituição de Geddel pelo ex-assessor Rodrigo Rocha Loures na intermediação dos interesses da JBS teria sido um dos motivos centrais da conversa entre Batista e Temer no Palácio do Jaburu, em 3 de março.

A conversa, gravada por Batista, é o ponto de partida da delação do empresário e de mais seis executivos da JBS contra Temer e outros políticos. Funaro deverá também falar sobre a intermediação de um repasse de R$ 4 milhões da Odebrecht para o PMDB de São Paulo a pedido de Temer. Os R$ 4 milhões fariam parte de um total de R$ 10 milhões acertados por Temer, o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) ,o ex-presidente da Odebrecht Marcelo Odebrecht e o executivo Cláudio Melo Filho no Palácio do Jaburu, na fase da pré-campanha eleitoral de 2014.

Se o acordo de delação prosperar, Funaro deverá descrever também como fazia arrecadação de dinheiro para políticos do PMDB no período em que Temer era o presidente do partido. Para investigadores, as informações do operador reforçariam as ligações de Temer com os ex-deputados Eduardo Cunha e Henrique Eduardo Alves, presos e acusados de desvios de dinheiro na Petrobras e na Caixa Econômica Federal, entre outras áreas da administração pública.

Investigadores decidiram estabelecer penas mais duras para Funaro porque o operador só decidiu colaborar numa fase em que as investigações sobre a suposta organização dele e de Cunha, entre outros, está se encaminhando para um fim. Funaro resolveu falar depois da prisão da irmã, Roberta Funaro, numa ação controlada da Polícia Federal. A ação fazia parte dos desdobramentos da delação de Batista. Numa conversa com Temer no Palácio do Jaburu, em 3 de março deste ano, Batista disse que fazia pagamentos regulares a Funaro e a Cunha para que eles não fizessem delação.

Depois de ouvir calado o relato, Temer respondeu "tem que manter isso, viu ?". Rorberta Funaro foi filmada recebendo entrando num táxi para receber R$ 400 mil de Ricardo Saud, um dos operadores da propina da JBS. A prisão dela foi determinada pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF). Depois da primeira fase da investigação, Fachin determinou que Roberta responda pelos supostos crimes em prisão domiciliar.

Funaro, que estava preso na carceragem da PF em Brasília, foi transferido na semana passada de volta para o presídio da Papuda. Cunha está preso em Curitiba e também negocia acordo de delação com a Procuradoria-Geral da República.

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?