Nos quatro meses de sua campanha, Jair Bolsonaro (PSL) fez diversas declarações vistas como autoritárias, como ao pregar o fim do ativismo e a classificação dos movimentos de sem-terra e sem-teto como terrorismo. Ele também bateu na tecla de fraudes nas urnas eletrônicas, refutadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A questão é o que será transposto ao seu governo, que começa em 1º de janeiro de 2019.
Em algumas ocasiões, ele recuou. Como depois da forte reação a um vídeo em que um de seus filhos, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), falava em fechar o Supremo Tribunal Federal (STF). O então candidato pediu desculpas ao Judiciário. E, apesar de ter associado reportagens negativas a , Bolsonaro assinou um compromisso para assegurar o direito à liberdade de imprensa.
No entanto, a uma semana do segundo turno, em vídeo para manifestação de apoio na Avenida Paulista, em São Paulo, Bolsonaro fez o discurso mais duro da campanha:
— Perderam ontem, perderam em 2016 e vão perder semana que vem de novo. Só que a faxina agora será muito mais ampla. Essa turma, se quiser ficar aqui, vai ter que se colocar sob a lei de todos nós. Ou vão para fora ou vão para a cadeia.
Para o historiador Daniel Aarão Reis, professor de História Contemporânea da UFF, isso não é simples retórica:
— Na primeira derrota que sofrer, não é de se esperar uma atitude democrática. Será um grande teste para a democracia.
O cientista político Carlos Pereira, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), no entanto, ressalta:
— O Brasil tem uma rede de instituições muito sofisticadas, robustas. Se ele se comportar de maneira autoritária, se desrespeitar as regras do jogo, as instituições vão trazê-lo de volta a essas regras. Se não, ele será punido.

