A Procuradoria-Geral da República (PGR) revelou nesta terça-feira detalhes de uma suposta trama envolvendo a PRF e o Ministério da Justiça para dificultar o voto de eleitores em municípios onde Luiz Inácio Lula da Silva era favorito no segundo turno das eleições de 2022.
Segundo a denúncia, a cúpula do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e a direção da Polícia Rodoviária Federal agiram de forma coordenada, realizando blitze e retendo ônibus em áreas estratégicas, especialmente na região Nordeste.
A então diretora de Inteligência do MJSP, Marília Ferreira Alencar, teria solicitado a criação de um projeto de Business Intelligence para mapear locais onde Lula obteve mais de 75% dos votos no primeiro turno. Esses dados foram usados para orientar as operações da PRF no dia da eleição, com o objetivo claro de dificultar o acesso de eleitores às urnas. Mensagens de WhatsApp e depoimentos de servidores públicos reforçam as acusações, mostrando que o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o então diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques, participaram ativamente do esquema. Vasques chegou a orientar os policiais a "escolherem um lado" na disputa eleitoral.
A PGR acusa os envolvidos de crimes graves, como organização criminosa, golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Os dados apresentados mostram que a região Nordeste concentrou o maior número de policiais mobilizados, postos de fiscalização e ônibus retidos durante o segundo turno, evidenciando o direcionamento das ações.
O caso segue para análise do Supremo Tribunal Federal (STF), que decidirá se aceita ou não a denúncia e abre caminho para um julgamento. O documento apresentado nesta terça-feira pela Procuradoria-Geral da República (PGR) denuncia o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais 33 pessoas por crimes relacionados a uma trama golpista, na tentativa de manter-se no poder após perder as eleições de 2022.





