RIO - A Polícia Civil vai fazer uma reprodução simulada para descobrir de onde partiu o tiro que atingiu o bebê de seis meses, no início da noite dessa segunda-feira, no Colégio São Vicente de Paulo, no Cosme Velho, Zona Sul do Rio. A reconstituição deve ocorrer nos próximos dias e também vai ajudar a esclarecer as circunstâncias em que a criança foi atingida.
Policiais da 9ª DP (Catete), delegacia responsável pelo caso, estiveram na unidade de ensino nesta terça-feira. Foi constatado pelos agentes que não havia vestígios suficientes para a realização de uma perícia, por isso a polícia optou pela reprodução. Testemunhas do caso já prestaram depoimento.
O bebê foi baleado no ombro quando estava no colo da mãe, que aguardava seu outro filho terminar uma atividade física na quadra da escola. O disparo atingiu o ombro da criança e o projétil ficou alojado. O bebê passou por uma cirurgia no Centro Pediátrico da Lagoa, na Zona Sul da cidade, e passa bem. Segundo a diretora médica do Grupo Prontobaby, Gina Sgorlon, a bala estava alojada próximo à medula. O procedimento cirúrgico, que durou cerca de duas horas, transcorreu sem problemas.
— Ele precisou de exames para saber a exata localização da bala. Na última avaliação que fizemos, ele está movimentando bem os membros — disse a médica, destacando que um projetil inteiro foi retirado.
Segundo os médicos, o bebê não deverá ter sequelas, mas a equipe fará um acompanhamento no CTI por até 48 horas
— Se tudo correr bem, entre dois e três dias ele recebe alta.
O pai do bebê fez um desabafo em seu perfil em uma rede social nesta terça-feira. No texto, ele diz que a família ainda não se conforma que a criança tenha sido mais uma vítima da violência no Rio. "Ainda estamos sem acreditar que isso está acontecendo com a gente, principalmente com nosso bebê de 6 meses". Além disso, o pai agradece as "inúmeras manifestações de solidariedade e mensagens carinhosas e amorosas" recebidas desde a noite desta segunda-feira.
Também nesta terça, feira, o comandante do 2° BPM (Botafogo), tenente-coronel Carlos Henrique Martins Gonçalves, afirmou que o tiro que acertou o bebê pode ter sido disparado a esmo do morro Fallet-Fogueteiro, em Santa Teresa, ou de algum imóvel vizinho à escola. Segundo ele, não houve confronto na área do batalhão nem na comunidade.

