Delegada responsável pelo caso, a titular da 3ª Delegacia de Polícia (DP) da cidade, Carla Kuhn diz que o erro já foi reconhecido pela empresa gestora do hospital, o Centro Clínico Gaúcho. "O erro já foi comprovado, inclusive foi instaurada sindicância administrativa no próprio hospital e também pelo Cremers (Conselho Regional de Medicina). Até então, ainda não temos a conclusão da sindicância administrativa que foi instaurada. Estamos aguardando essa documentação."
Segundo a delegada, o inquérito policial deve ser concluído em mais 30 dias. O paciente, Alexandre, completa no próximo mês um ano em estado vegetativo pelo erro na medicação. Ainda de acordo com a delegada, ele deveria ter recebido dois comprimidos do medicamento, mas acabou recebendo 20, imediatamente teve parada cardíaca e entrou em estado de coma.
A mulher dele estava ao seu lado quando ele foi medicado e, segundo apurou a polícia, estranhou naquele momento a alta dosagem do remédio. No dia 17 de novembro, quase um mês após o ocorrido, ela registrou a ocorrência. A delegada não soube informar o que causa a demora na conclusão da sindicância interna. "Não posso ainda fazer nenhuma afirmação (sobre indiciamentos). Claro que vai entrar se em algo culposo (quando não há intenção) e não doloso (quando o ato é feito com intenção), talvez com dolo eventual (quando se assume o risco)."
Em nota, o Centro Clínico Gaúcho, atual gestor do hospital, disse lamentar o caso e afirma prestar atendimento ao paciente. A empresa diz ainda que o atendimento "ocorreu na gestão anterior."
Mulher estava grávida quando marido teve problema
Mulher de Lara, a administradora Gabrielle Bressiani, de 27 anos, conta que no dia do problema com a medicação o marido foi até o Humaniza para uma consulta, mas acabou internado. "Ele foi pra fazer uma consulta porque estava com fibrilação arterial. Daí consultou com o clínico geral, primeiramente fez um eletrocardiograma. O clínico geral disse que ele estaria liberado e deu o encaminhamento pro cardiologista", conta. "A gente tentou marcar o cardiologista, mas só teria para dali um mês e a gente não queria esperar. Fomos na ouvidoria e conseguimos a consulta com o cardiologista para aquele dia mesmo", relembra.
Ela conta que estranhou na época a quantidade de medicamento dado ao marido. "Ele recebeu um copinho onde tinha uns vinte comprimidos. A gente desconfiou ainda fez o cálculo de trinta miligramas vezes os vinte comprimidos: dariam os 600 miligramas", relembra. Mas cada comprimido era, na verdade, de 300 miligramas.
"O Alexandre questionou o técnico de enfermagem, que questionou a médica. E disse que é isso mesmo", conforme Gabrielle. A superdosagem causou uma parada cardíaca e ele logo depois entrou em estado vegetativo.
Na época, Gabrielle estava grávida de três meses. "Minha gestação inteira foi dentro do hospital. No início, a gente dormia no hospital e, mais para frente, a gente ia todos os dias no hospital. E todo dia acontecia alguma coisa que eu tinha de brigar lá dentro", conta ela, lembrando que chegou a ter medo de perder a filha, que nasceu em abril.
Gabrielle reclama da assistência dada à família. De acordo com ela, os gestores chegaram a indicar uma psicóloga, funcionária da própria empresa gestora do Humaniza, o que não a fez se sentir confortável com a profissional. "Era difícil ter uma imparcialidade com o caso", diz. "Fomos em psiquiatras particulares e hoje eu faço uso de medicação." Ela afirma que decidiu levar o caso à Justiça.

