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PF sugere arquivamento de inquérito sobre ministros do STF citados por executivos da JBS

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BRASÍLIA — O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Fernando Segovia, entregou para a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, um relatório que sugere o arquivamento do inquérito aberto para apurar se uma conversa gravada entre os executivos Joesley Batista e Ricardo Saud, da J&F, controladora da , continha algum indício de crime contra ministros do STF. Depois de dois meses de investigação, a polícia concluiu que, no diálogo, gravado involuntariamente por um dos dois, não há referências a irregularidades relacionadas aos ministros ou a outras pessoas citadas por eles ao longo da conversa.

Na saída do encontro com Cármen Lúcia, Segóvia conversou rapidamente com a imprensa, mas não deu muitos detalhes:

— A Polícia Federal neste momento entrega o relatório parcial da investigação que foi aberta a pedido da presidente (do STF), ministra Carmen Lúcia, a respeito de uma investigação que teria sido relativa aos áudios que foram entregues envolvendo Joesley e Saud. As conclusões da investigação parcial estão nas mãos agora da ministra Cármen Lúcia. E tão logo haja uma análise da ministra, ela deverá expor ao público quais são as conclusões — limitou-se a dizer Segovia.

Na diálogo, Joesley e Saud falam sobre a possibilidade de gravar uma conversa com o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo e, a partir daí, arrancar informações comprometedoras contra ministros do STF. Na análise dos dois, depois das delações da Lava-Jato terem devastado os poderes Executivo e Legislativo, dados desabonadores sobre ministros do STF poderiam facilitar a busca deles por um acordo de delação. Ao longo da conversa eles citam os ministros Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e a também a Cármen Lúcia. Não há, no entanto, referências a condutas suspeitas dos ministros.

— Ao que tudo indica foi mesmo uma conversa de bêbados. Um falatório sem sentido. Mostra também que Joesley e Saud falam muitas inverdades — disse ao GLOBO uma fonte que acompanha o caso de perto.

Antes do encerramento das investigações, a PF ouviu na manhã desta sexta-feira o procurador regional da República Eduardo Pelella, um dos coordenadores da negociação do acordo de delação dos executivos da JBS.

Quando o caso veio à tona em setembro, a presidente do STF determinou que a PF apurasse o caso o mais rápido possível. Para ela, não poderia pairar qualquer dúvida sobre a dignidade dos ministros da mais alta corte do país. Os advogados de Joesley e Saud disseram que os dois tiveram a conversa sob efeito de altas doses de bebida alcoólica e que o diálogo, se observado com atenção, conteria apenas bravatas sem qualquer sentido lógico. Disseram também que os dois não gravaram secretamente conversas com o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo. Joesley e Saud até pediram desculpas. Mas, mesmo assim, a Polícia Federal abriu inquérito.

Durante a apuração, a polícia investigou até as condutas do ex-procurador Marcelo Miller e da advogada Fernanda Tórtima, uma das responsáveis pelo acordo dos executivos da JBS com a Procuradoria-Geral da República. A polícia concluiu também que não houve irregularidade da parte da advogada. No diálogo, Saud e Joesley falam sobre Tórtima. Um deles diz que ela se opunha à gravação de conversa de Cardozo e a qualquer incursão dos dois pela seara do STF. A parte relacionada a Miller, que deixou o Ministério Público Federal, para atuar como advogado da JBS, também não prosperou. O caso está sendo apurado em outro inquérito.

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