Relatório da Polícia Federal mostra que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) manteve contato direto com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro — encontros, ligações e mensagens — para viabilizar recursos para "Dark Horse", cinebiografia de Jair Bolsonaro. O documento, baseado na extração do celular de Vorcaro e em dados do Coaf, teve o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça (STF).
Para a PF, Flávio não foi apenas citado por terceiros: negociou pessoalmente com o banqueiro. O senador já negou ter pedido dinheiro a Vorcaro, depois admitiu que pediu. Diz que a relação era privada, de captação de patrocínio, e nega ter recebido valores ou cometido irregularidades.
Cronologia
20/8 : primeira troca de mensagens diretas; combinam um encontro.
8/9 : Flávio cobra por áudio repasses atrasados, cita o ator e o diretor do filme como credores em risco; Vorcaro promete resolver.
15/9 : intermediário articula reunião na casa de Vorcaro em Brasília.
16/9 : ligação telefônica entre os dois, mesma data de remessa de US$ 1,66 milhão a um fundo nos EUA, identificada pelo Coaf.
17, 23 e 24/9 : novas tentativas de encontro presencial.
22/10 : Flávio avisa que a produção está no limite orçamentário e pede aviso urgente se o dinheiro não sair; Vorcaro libera nova parcela; Flávio o convida para jantar com o elenco em São Paulo.
Fim de out./início de nov. : intermediário cobra Vorcaro por pagamentos que não chegaram ao exterior.
7/11 : Flávio manda vídeo da produção e agradece o apoio.
16/11 : às vésperas da prisão, Flávio tenta contato e pede "uma luz"; recebe só uma foto de visualização única.
17/11 : Vorcaro é preso à noite, tentando embarcar em jato particular. No dia seguinte, a PF deflagra a Operação Compliance Zero.
Fora do relatório
Em maio, veio à tona que Flávio visitou Vorcaro durante prisão domiciliar com tornozeleira, entre a primeira e a segunda prisão. O senador confirmou o encontro, dizendo que serviu para encerrar o assunto do filme.



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