RIO — A Polícia Federal cumpre na manhã desta quarta-feira pelo menos três mandados de condução coercitiva — quando o alvo é forçado a depor — em um desdobramento da Operação Ponto Final. Na segunda-feira, a PF prendeu onze acusados de integrar um esquema de propinas no setor de transportes do Rio. Os alvos foram levados de casa, na zona sul do Rio, para acompanhar os agentes na ação de busca e apreensão em seus escritórios. Depois, eles serão levados à Superintendência da PF.
Há pelo menos três equipes de agentes federais nas ruas nesta quarta-feira. Um dos endereços aos quais os policiais se dirigiram fica na Rua Alberto Campos, em Ipanema, na Zona Sul da cidade. Por volta de 6h20m, um homem saiu do prédio acompanhado dos agentes e foi levado a um prédio comercial na Rua Visconde de Pirajá, no mesmo bairro, em busca de documentos.
A PF identificou uma organização criminosa no setor de Transportes do Rio. Entre os envolvidos presos, estão o empresário de ônibus Jacob Barata Filho, o presidente da Fetranspor, Lélis Marcos Teixeira, e o ex-presidente do Departamento de Transportes Rodoviários do Rio (Detro), Rogério Onofre. Na ocasião, os policiais ainda cumpriram 30 mandados de busca e apreensão pela cidade.
Uma investigação do Ministério Público Federal e da Polícia Federal revelou um sistema de propinas que movimentou R$ 260 milhões. No esquema, participavam agentes públicos, políticos, dirigentes de órgãos fiscalizadores e empresários do ramo dos transportes.
Na terça-feira, a PF divulgou um balanço da Operação Ponto Final. Dez envolvidos foram presos no Rio e um em Santa Catarina. Jacob Barata Filho foi detido quando tentava embarcar para Portugal, no domingo, o que fez o órgão antecipar o lançamento da operação. O órgão apreendeu ainda R$ 2,3 milhões, 17 mil euros, US$ 8 mil e 49 caixas com objetos, relógios e joias, que passarão por perícia.

