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Pedido de vista na CCJ adia votação da cassação do mandato de Carla Zambelli

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Pedido de vista na CCJ adia votação da cassação do mandato de Carla Zambelli
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O destino da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) na Câmara dos Deputados ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (02) com a apresentação do relatório na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O relator do processo de cassação, deputado Diego Garcia (Republicanos-PR), surpreendeu ao recomendar a preservação do mandato da parlamentar, que foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no caso da invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A análise, contudo, foi adiada após um pedido de vista apresentado por parlamentares da oposição.

O parecer de Garcia argumenta a ausência de provas conclusivas que liguem diretamente Zambelli à invasão do sistema do CNJ. O relator focou em desqualificar a principal peça acusatória: o depoimento do hacker Walter Delgatti. Em coletiva de imprensa, Garcia ressaltou que, embora existam "suspeitas", não há "certezas de que a deputada tenha ordenado as invasões," apontando que a acusação carece de sustentação em outras provas que não o relato do próprio hacker.

A defesa de Zambelli foi endossada pelo relatório com base em uma oitiva técnica. O assistente técnico da defesa, Michel Spiero, confirmou que não foram encontrados nos dispositivos da deputada quaisquer arquivos, mensagens ou rascunhos que a vinculassem aos atos ilícitos. Garcia reproduziu trechos destacando que nem mesmo a Polícia Federal encontrou provas materiais que comprovassem comandos ou instigações por parte de Zambelli.

Além disso, o relator levantou contradições no testemunho de Delgatti. Ele notou que o hacker alegou não possuir as conversas de WhatsApp com a deputada por "resetar o aparelho diariamente," o que impedia a corroboração das supostas instruções por meio de provas digitais. Este ponto enfraqueceu, no entendimento de Garcia, a credibilidade das alegações que sustentam a Ação Penal.

O relatório de Diego Garcia não se limitou à análise das provas técnicas. O deputado também sugeriu que houve um tratamento direcionado contra a parlamentar por órgãos do Judiciário, citando indícios de possível perseguição política. A menção a um depoimento de Eduardo Tagliaferro, ex-chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE, que admitiu que Zambelli era um "alvo preferencial" com alta "constância e intensidade nos pedidos de monitoramento," reforça essa tese.

Com o pedido de vista apresentado pelos deputados Marcon (Podemos-RS), Gisela Simona (União-MT), Claudio Cajado (PP-BA) e Pompeo de Matos (PDT-RS), a votação do parecer foi adiada por duas sessões.

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