Um pastor de uma igreja foi condenado a pagar R$10 mil para um fiel, após revelar uma traição durante um culto, em Salto, no interior de São Paulo. A decisão é do juiz Alvaro Amorim Dourado Lavinky, da 3ª Vara do fórum de Salto.
A cena em que o adultério é revelado foi gravada pela congregação e divulgada nas redes sociais. O vídeo repercutiu e chegou a ser apagado após uma notificação extrajudicial, mas voltou a ser divulgado pela igreja. Para o juiz, a igreja "agiu ilicitamente, com abuso de direito, ao expor, fora do ambiente de culto, no Youtube, sem prévia autorização expressa, a imagem e fato íntimo e vexatório relativos ao homem".
No pedido de indenização, o fiel contou que o vídeo focou em seu rosto, de sua ex e de sua mãe. Com a divulgação das imagens, ele alegou que sofria constrangimentos, como quando saía de casa e encontrava pessoas que lhe perguntavam sobre o vídeo.
"Não pode ela [igreja] filmar os cultos, revelar assuntos íntimos de seus fiéis e divulgar nas redes sociais sem autorização dos envolvidos", disse.
A igreja tentou alegar que o homem sabia que o culto era gravado, pois existem "vários avisos" no local. A congregação também afirmou que tirou o vídeo do ar antes de ser citada no processo.
Para o magistrado, não houve "prévio consentimento" do homem, por escrito, para que sua imagem fosse divulgada na internet, "muito menos a ocorrência de seu adultério".

