SÃO PAULO. A Assembleia Nacional do Equador aprovou, na noite de terça-feira, uma proposta do partido governista Aliança País que prevê a expulsão da Odebrecht do país. O pacote anticorrupção, que deve ser sancionado pelo presidente, Lenin Moreno, inclui cinco ações. Entre elas criar uma comissão multipartidária que viaje ao Brasil e aos EUA em busca de informações sobre o caso, além de convocar várias autoridades para depor.
A empresa, segundo o pacote, deve ser investigada desde que começou a atuar no país, em 1987, realizando obras relacionadas a todos os níveis de governo. A construtora seria expulsa uma vez que acabe o processo de investigação e cumpra com “reparações integrais” aos cofres do país. Funcionários do alto escalão da Odebrecht devem permanecer no Equador até que as investigações sejam concluídas.
Segundo documentos do Departamento
A moção no Parlamento foi aprovada por 106 votos a favor, de um total de 128 legisladores presentes à sessão plenária. O plenário aprovou o início do processo para convocar o julgamento politico do chefe da Controladoria Geral do Estado, Carlos Pólit, envolvido no caso Odebrecht e que está fora do país por razões médicas, segundo informações de seu advogado.
A Assembleia também convocou, de maneira imediata, o procurador-geral do Estado, Carlos Baca, que compareça diante da Comissão legislativa de Controle e explique o avanço das investigações. Baca veio ao Brasil no início desta semana, segundo a agência de notícias EFE.
Na sexta-feira, as autoridades do país prenderam seis pessoas em uma série de operações ligadas ao caso. Um dos detidos é o tio do atual vice-presidente do Equador, Jorge Glas. Também foi uma aberta uma investigação contra Pólit.
Caso a expulsão seja aprovada, não é a primeira vez que a Odebrecht sairia do Equador. Em 2008 o presidente Rafael Correa expulsou a construtora por irregularidades na construção de uma hidrelétrica. A empresa voltaria em 2010 e, cinco anos depois, ganharia uma licitação de US$ 1,54 bilhão para construir parte do metrô de Quito e, para isso, teria pago a algumas autoridades, segundo as investigações. Ela foi retirada da obra há dois meses.
A empresa ainda não se manifestou sobre a decisão da Assembleia equatoriana.

