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Papa canoniza os primeiros mártires do Brasil, assassinados no século XVII

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Papa canoniza os primeiros mártires do Brasil, assassinados no século XVII
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CIDADE DO VATICANO e NATAL - Dois massacres quando o Brasil ainda era colônia — um teve como palco uma pequena capela, e o outro, a beira de um rio — resultaram na canonização dos 30 primeiros mártires brasileiros. Eles foram assassinados por calvinistas holandeses no século XVII, em Uruaçu e Cunhaú, no Rio Grande do Norte. A celebração aconteceu na manhã deste domingo, dia 15, no Vaticano, em uma cerimônia presidida pelo Papa Francisco.

As canonizações são o reflexo da violenta história da evangelização na América Latina, que teve início no estado brasileiro do Rio Grande do Norte em 1597 com os missionários jesuítas e os padres procedentes do reino católico de Portugal. Mas, nas décadas seguintes, a chegada de holandeses calvinistas gerou perseguições contra os católicos.

No monumento construído em homenagem aos santos, no município de São Gonçalo do Amarante, na região metropolitana de Natal, cerca de 400 fiéis celebraram uma missa e em seguida, uma vigília em comemoração a canonização dos mártires. Entoando cantos e preces, pessoas de diversas idades acompanharam ao vivo de um telão, a celebração que acontecia no Vaticano.

Os mártires de Cunhaú e Uruau morreram de forma violenta; alguns chegaram a ater o coraçao arrancado, segundo historiadores. Eles foram beatificados pelo Papa João Paulo II em 2000, quando cerca de mil brasileiros participaram da celebração. O processo de beatificação durou nove anos; foi instalado pelo então Arcebispo de Natal, Dom Alair Vilar, e teve como postulador o Monsenhor Francisco de Assis Pereira, ambos já falecidos. A celebração de beatificação aconteceu durante o governo de Dom Heitor Sales.

O processo de canonização estava na Congregação para a Causa dos Santos, no Vaticano, desde o segundo semestre de 2015, por indicação do Sumo Pontífice. Em setembro do ano passado, o Arcebispo Metropolitano, Dom Jaime Vieira Rocha, participou em Roma de uma audiência com o Papa Francisco para tratar sobre a canonização.

Das 150 pessoas mortas nos dois massacres, apenas 30 foram considerados santos. A quantidade foi menor porque, segundo a Igreja Católica, ficou comprovada a identidade apenas do deste grupo. Das 30 pessoas, 25 eram homens e cinco, mulheres — alguns deles, bebês.

Na matança em Cunhaú, onde atualmente está localizado o município de Canguaretama, foram canonizados o padre André de Soveral e Domingos de Carvalho. Em Uruaçu, onde atualmente está a cidade de São Gonçalo do Amarante, o padre Ambrósio Francisco Ferro está entre os santos.

A canonização, quando se trata de um mártir, deve partir de um fato historicamente comprovado de morte violenta pela fé católica, aceita voluntariamente. Quando trata-se de um não-mártir, deve-se provar o exercício das virtudes cristãs durante toda a sua vida. Além dos 30 mártires do Rio Grande do Norte, o Papa também canonizou três adolescentes mártires do México, um sacerdote italiano e outro espanhol.

Os novos santos mexicanos Cristóbal, Antonio e Juan, adolescentes assassinados por sua fé entre 1527 e 1529, haviam recebido uma formação com os primeiros missionários franciscanos procedentes da Espanha.

Aos 13 anos de idade, o jovem Cristóbal tentou converter o pai, que o matou a pauladas quando retornava da escola franciscana.

Antonio e Juan aceitaram acompanhar como intérpretes em 1529 missionários dominicanos à região de Oaxaca, sul do México. Os dois jovens foram assassinados por índios quando ajudavam os missionários a destruir representações de ídolos dos indígenas.

HISTÓRIA DOS BRASILEIROS

Os 30 mártires foram vítimas de duas matanças brutais ocorridas no estado potiguar em 1645, durante a ocupação holandesa no Nordeste do país. Os crimes foram praticados por colonizadores holandeses, índios tapuias e potiguares, comandados pelo alemão Jacó Rabe, que estaria a serviço dos flamengos.

O primeiro massacre ocorreu em Cunhaú, município de Canguaretama, localizado a 79 Km de Natal, em 16 de julho de 1645. O grupo de soldados holandeses e índios tapuias trancaram cerca de 70 pessoas, que rezavam uma missa, na pequena capela Nossa Senhora das Candeias e iniciaram o massacre.

Após a primeira chacina, os moradores de Natal, com medo da ameaça dos índios e dos holandeses, procuraram lugares seguros para se abrigar. No dia 3 de outubro, outro grupo, formado por cerca de 80 pessoas, foi levado para Uruaçu. Às margens do Rio Potengi, os assassinos tiraram a vida de jovens e adultos.

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