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Palocci nega que pediu doações para Odebrecht em troca de benefícios à empresa

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SÃO PAULO - Ao ser interrogado pelo juiz Sérgio Moro, na manhã desta quinta-feira, o ex-ministro Antonio Palocci afirmou que nunca pediu nem recebeu doações partidárias da Odebrecht como contrapartida por projetos que a empresa tinha com o governo federal. O ex-ministro também negou que tenha feito pagamentos aos marqueteiros João Santana e Mônica Moura no exterior.

O ex-ministro admitiu, porém, que havia episódios em que as empresas procuravam políticos prometendo doações caso seus interesses fossem atendidos. Ele cita como exemplo a votação da medida provisória 460, de 2009, que previa mudanças na cobrança de tributos para incorporadoras.

— Não preciso dizer o quanto se falava no Congresso sobre contrapartidas para a MP 460. Era uma coisa... Aconteceu intensamente, mas jamais recebi ou ofereci da Odebrecht qualquer contrapartida — afirmou Palocci.

Ao longo do depoimento, Palocci se lembrou de uma visita que recebeu do então presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, a quem descreveu como “insistente” ao defender seus interesses econômicos. Segundo a versão do ex-ministro, Marcelo teria dito que foi procurado por um petista, que pedira uma doação como contrapartida pela liberação de um projeto de submarino que era de interesse da Odebrecht.

— Ele (Marcelo) me pediu para ajudar a tirar esse assunto da mesa. Faço isso porque sou absolutamente contra qualquer vinculação a projeto — disse Palocci. — Eles jamais me pediram uma contrapartida e jamais dei margem que eles pensassem que era possível.

Moro quis saber que petista havia feito o pedido a Marcelo. Palocci respondeu que não saberia indicar um nome, mas que, na época, a única pessoa que solicitava doações em nome do partido era o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.

Palocci disse ainda que nunca atuou em favor da empresa para que fosse facilitada a liberação de créditos no BNDES.

— Jamais fui ao BNDES buscar linha de crédito para qualquer empresa, não digo só a Odebrecht.

A exceção, segundo o ex-ministro, só deu em casos de empresas que estavam ameaçadas de falência.

— Aí, sim, discutíamos com as empresas e o BNDES a possibilidade de salvamento.Essa nunca foi a situação da Odebrecht.

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