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Padilha diz que governo está pronto para votar denúncia, mas evita estimativa de placar

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BRASÍLIA — O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, afirmou que o governo está pronto para votar, no plenário da Câmara dos Deputados, a denúncia de corrupção passiva contra o presidente Michel Temer, mas evitou fazer uma estimativa de placar. Aliados acreditam que a peça apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) será rejeitada por, no mínimo, 250 votos.

A três dias da data prevista para a votação, Temer encerrou uma maratona de ações políticas neste domingo com uma reunião à noite no Palácio da Alvorada. Cerca de 12 aliados, entre ministros e líderes partidários participaram do encontro, com o objetivo de discutir as últimas estratégias em busca de votos.

Padilha disse que, na reunião, foram analisados os procedimentos anunciados pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), sobre a sessão da próxima quarta-feira. A oposição está dividida sobre a melhor estratégia: dar o quorum e usar a sessão para discursos contra Temer, ou só marcar presença quando o quorum de 342 parlamentares for atingido — este é o número necessário para a votação ser aberta.

— Nós, do governo, estamos prontos para votar a qualquer momento. Mas, se quarta-feira a oposição obstruir e não der o quorum de 342, o problema não é nosso. Eles é que querem aprovar a denúncia, então tem que garantir o quorum para votação. Se não o fizerem até 31 de dezembro de 2018, o que estará valendo é a decisão da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), que rejeitou a denúncia da PGR. Hoje, o que vale é a decisão de rejeitar a denúncia — disse Padilha.

Também participam da reunião os ministros Antônio Imbassahy (Secretaria de Governo) , Moreira Franco (Secretaria-Geral), Osmar Terra (Desenvolvimento Social) e líderes partidários da Câmara.

O deputado Carlos Marun (PMDB-MS) disse que a ordem é “não ficar de salto alto” sobre a possível vitória na quarta-feira. O governo quer evitar divulgar estimativa de placar, para, se a votação não for tão expressiva, evitar o tom de derrota.

— As noticias são tão boas que temos que frear nosso otimismo. Jogar com responsabilidade até o final da partida — disse Marun.

Líderes da oposição apostam na exposição e desgaste dos deputados que votarem contra a aprovação da denúncia, perante o eleitorado e suas bases. Aliados de Temer que votaram pela rejeição da denúncia na CCJ, entretanto, negam que tenham sido pressionados pelas bases durante o recesso.

— Não tive praticamente nenhuma cobrança dos meus eleitores, que , em geral, aprovaram. Vou dizer não com convicção. Não existe materialidade de prova na solicitação da PGR — disse o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA).

O deputado Nélson Marquezelli (PTB-SP), da bancada ruralista, diz que representa uma boa parte da agricultura no interior de São Paulo e teve o cuidado de consultar seus eleitores. Diz que, além das lideranças agrícolas, consultou vários prefeitos e vereadores que o apoiam, o presidente do PTB nacional, do diretório estadual e da sua cidade, Pirassununga . E todos foram unânimes em apoiar seu voto pela rejeição.

— Consultei meus amigos e alguns advogados que me acompanham na política há mais de 20 anos. Todos acham que não é hora de substituir o presidente. Daqui a 10 meses, estaremos em campanha pra eleger seu sucessor. Neste tempo, a Justiça estará aprimorando seus processos, e (Temer) certamente, após transmitir o cargo, será chamado a se defender. O meu voto será não à autorização . Será melhor para o país — disse Marquezelli.

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