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Padilha contrata ex-advogado de Funaro para defendê-lo de denúncia

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BRASÍLIA - Incluído na denúncia por obstrução de justiça e organização criminosa apresentada contra o presidente Michel Temer com base na delação premiada do doleiro Lúcio Funaro, o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) contratou para a sua defesa o criminalista Daniel Gerber, ex-advogado e processado por Funaro, hoje algoz do Palácio do Planalto.

Gerber defendeu o operador e chegou a participar do início das tratativas para que Funaro fechasse acordo de colaboração premiada com o Ministério Público Federal. Pouco depois, no entanto, deixou a defesa e hoje trava uma briga na Justiça com o operador, tido como braço-direito do ex-deputado Eduardo Cunha, preso e condenado no âmbito da Operação Lava-Jato. Funaro resolveu processar o advogado e acusa Gerber de abandono de causa, além de cobrar R$ 750 mil do criminalista.

— Nada há que comentar sobre as palavras de Lúcio, sejam elas quais forem — limitou-se a dizer Gerber ao GLOBO.

Em depoimento em junho deste ano, Funaro também acusou o escritório do ex-advogado, responsável pela defesa do operador logo depois de ter sido preso e transferido para Brasília, de fazer sondagens sobre a possibilidade de Funaro delatar. "Também chamou a atenção do declarante o monitoramento feito do seu estado de ânimo dos escritórios de advocacia que o assessoraram. Primeiro o escritório o escritório do Mariz. Depois o escritório de Daniel Gerber, que é ligado ao escritório Ferrão (Eduardo), este próximo ao ministro Eliseu Padilha (Casa Civil)", disse Funaro em interrogatório conduzido pelo delegado Marlon Oliveira Cajado dos Santos.

Além de Padilha, o próprio Temer já teve entre seus defensores um advogado em comum com Lúcio Funaro: o criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, amigo pessoal do presidente e que deixou a defesa de Temer por já ter atuado na defesa do doleiro. Por ter defendido Funaro, Mariz disse que recebeu do antigo cliente informações relacionadas à nova denúncia contra o presidente, e que por isso se sentia impedido de atuar nesse caso específico.

O ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, incluiu o ministro Eliseu Padilha na denúncia contra Temer por entender que ele integra o grupo de poder do presidente. Na denúncia, Temer é acusado de ser líder da organização criminosa e o grupo do presidente teria recebido propina, conforme a denúncia do ex-procurador-geral, por atuações na Petrobras, Furnas, Caixa Econômica Federal, Ministério da Integração Nacional e Câmara dos Deputados. O valor dos subornos pagos ao grupo é de R$ 587 milhões, segundo Janot.

Daniel Gerber afirmou que Janot apenas se valeu de seu "agir político" para acusar o ministro, sem detalhar qualquer envolvimento de Padilha a qualquer fato ilícito.

— Uma denúncia que, no caso do ministro, usa apenas seu agir político como fundamento para acusá-lo, sequer relacionando-o aos fatos que envolvem Petrobras, Furnas ou CEF — disse o criminalista.

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