Pacientes com câncer no Brasil levam cerca de um ano para iniciar o tratamento no setor público, além de enfrentar um período de identificação de sintomas que pode chegar a dois anos. Esses dados são da pesquisa “Jornada do Paciente com Câncer”, realizada pela ALS BRASIL e pela biofarmacêutica Bristol Myers Squibb, divulgada em junho deste ano.
A pesquisa revela que o período de um ano inclui a busca pela primeira consulta médica até o início efetivo do tratamento, com 33% dos entrevistados relatando sintomas como dores intensas, sangramento anormal e presença de nódulos ou tumores surgindo entre um e dois anos antes.
O tempo de espera para a primeira consulta após o surgimento dos sintomas varia: enquanto 72% dos pacientes do setor privado aguardam de 1 a 3 meses, no setor público, 15% dos pacientes esperam de 4 a 6 meses.
A lentidão no sistema público para a realização de exames faz com que muitos pacientes optem por um sistema misto, utilizando tanto o sistema público quanto o privado. Segundo a pesquisa, 74% dos pacientes recorreram a exames no sistema particular devido à demora no agendamento no sistema público.
Além disso, 40% enfrentaram a falta de cobertura de exames, tanto no sistema público quanto no privado. Na fase de tratamento, 74% dos pacientes receberam os resultados dos exames em até 3 meses, mas no setor privado, 51% iniciaram o tratamento em até 1 mês, comparado a apenas 27% no setor público.
Sobre o monitoramento pós-tratamento, a pesquisa indica que 66% dos pacientes realizam acompanhamento de 6 a 12 meses. Entre os pacientes que finalizaram o tratamento, 38% fazem monitoramento semestral e 28% anual.
A pesquisa entrevistou 300 pacientes de câncer em todas as regiões do Brasil, entre 13 de abril e 26 de maio de 2023, com o objetivo de investigar a jornada do paciente com câncer nos sistemas público e privado.



