RIO - Apontado pela força-tarefa da Lava-Jato como operador do ex-secretário de Obras do Rio Hudson Braga, o servidor público Wagner Jordão Garcia confirmou à força-tarefa da Lava-Jato a taxa de 1% cobrada sobre os contratos com empreiteiras responsáveis por diversas obras no estado flumimense. (PMDB), o grupo usava a expressão ‘oxigênio’ para se referir à propina. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), outros 5% eram cobrados pelo ex-governador.
A pedido da defesa de Garcia, um dos preso na Operação Calicute, a Polícia Federal colheu o depoimento do servidor na terça-feira, dia 29. À PF, ele disse ter conhecido Hudson Braga ainda no final do governo de Rosinha Garotinho ‘por volta de 2005/2006’ e que passou a ser subordinado dele na Secretaria de Obras a partir de 2007 até 2012.
Ele confirmou aos investigadores que recebeu ‘algumas vezes’ alguns envelopes denominados ‘projetos’ de Alberto Quintaes (Andrade Gutierrez) e Rodolfo Matuano (Carioca Engenharia), de Paulo Duarte (Delta) e de outras duas pessoas da Queiróz Galvão e de outra da Odebrecht, além de Marcos Land, da OAS.
Em seu depoimento à PF, Garcia diz que foi apresentado a essas pessoas no gabinete de Hudson e que semanalmente ele era acionado para buscar “tais projetos” e que a combinação era feita pela senha “vamos tomar um café”. Ele confirmou aos investigadores que funcionários da secretaria e empresários relatavam sobre a taxa de O2 (taxa de propina de 1% sobre contratos estaduais).
Garcia conta, inclusive, que foi duramente advertido por Hudson ao imprimir email enviado por Alex Sardinha, da Oriente Construtora, que documentava a cobraça da taxa. Segundo ele, a “bronca de Hudson” foi por esse motivo e que ele ficou “chateado”.
Outro operador do esquema, José Orlando Rabelo, também é apontado por Garcia como uma das pessoas que também buscava “os projetos por ordem de Hudson” . Ele diz que conheceu Rabelo quando o mesmo foi trabalhar no gabinete de Hudson, e que depois, ele assumiu a chefia de gabinete de Hudson.

