Havia algo de decadente em sua rapidez, algo que já deve ter representado objetividade punk, mas hoje em dia soa mais como um desanimado esforço para colocar o corpo em movimento. Lembrou Krusty, o falido palhaço dos Simpsons, que como Dexter, um dia já esteve na crista da onda. Mas para os fãs que vieram ouvir a trinca de atos nostálgicos, Marky Ramone, Capital Inicial e The Offspring foi o estopim para o esquentado empurra-empurra que serve de termômetro para shows de hardcore deste tipo.
Desde o final dos anos 90, quando o Offspring era idolatrado no Brasil ao lado de Charlie Brown Jr, este atrito é eficaz. E Dexter, um ex-biólogo molecular californiano sabe bem como instigá-lo. Bastaram 15 minutos e então estavam todos sob o comando do inchado quarentão de cabelos oxigenados, que antes do show pediu que os fotógrafos assinassem um termo de responsabilidade, com o compromisso de publicar apenas as fotos que tem o aval da produção. Mais digno seria se Dexter aceitasse sua barriguinha e cantasse sem frescura, mas mesmo assim o Offspring, que teve participação de Marky Ramone na bateria, pegou no tranco.
Bastou a clássica Come Out and Play e sua introdução de surf rock arábico, para que todos fossem transportados para o tempo dos CD players. Ou a cortante Self Esteem, para que toda a confusão adolescente borbulhasse na memória dos fãs amadurecidos.



