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O privilégio da tornozeleira

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GOIÂNIA — Ex-assessor especial do presidente Michel Temer, Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) pode se considerar um privilegiado. O “deputado da mala” deixou a prisão em Brasília no dia 1º, com uma tornozeleira eletrônica emprestada pelo governo de Goiás. O político amigo do presidente foi colocado à frente de outros casos julgados no estado: ficaram sem tornozeleiras, somente neste mês, um acusado de traficar 3,5 quilos de maconha, um agressor enquadrado na Lei Maria da Penha e empresários que lesaram centenas de clientes de pacotes de viagens.

O acusado de tráfico continuou preso, apesar de decisão judicial derrubando uma prisão preventiva. O risco à mulher ameaçada de morte por seu ex-companheiro permaneceu em razão da falta de monitoramento eletrônico. A fila de potenciais agressores à espera do dispositivo, processados pela Maria da Penha, é de 200 homens em Goiânia, segundo estimativa do Ministério Público.

Denival Marques da Silva foi preso sob acusação de ter em seu poder 3,5 quilos de maconha. Três dias depois, a Justiça converteu a prisão em um monitoramento eletrônico. Até segunda-feira, não havia no processo qualquer informação sobre sua soltura. Faltou a tornozeleira eletrônica.

A reportagem questionou a Superintendência de Administração Penitenciária (Seap) de Goiás se o acusado continuava preso. O órgão não respondeu e afirmou que recebeu um lote de cem tornozeleiras. “Com a chegada dos novos equipamentos, será possível atender, de forma imediata, as determinações judiciais que estão pendentes. Cerca de 30 pedidos aguardavam a remessa”, disse a Seap.

Permanece sem qualquer monitoramento eletrônico um homem denunciado pelo MP por ameaçar de morte a ex-mulher em Goiânia. O acusado já está proibido pela Justiça de se aproximar num raio de 300 metros da ex-companheira e dos filhos. “Eu vou pôr fim em você. Sua vida está em minhas mãos”, ameaçou o agressor, conforme a denúncia. A Justiça converteu uma prisão preventiva em monitoramento eletrônico. Em março, o oficial de Justiça deixou de conduzi-lo coercitivamente para a instalação do equipamento, pela inexistência do dispositivo.

O promotor de Justiça Fernando Krebs investiga a concessão da tornozeleira a Loures e pede a devolução do equipamento. O déficit estimado em Goiás é de 4 mil tornozeleiras, segundo o promotor.

Loures foi preso após ser filmado pela PF com um mala contendo R$ 500 mil, suposta propina paga pela JBS e cujo destinatário seria Temer, segundo a Procuradoria-Geral da República. Após ser transferido à prisão domiciliar, esfriaram as possibilidades de uma delação premiada de Loures.

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