BRASÍLIA O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que não é preciso "contato físico" com dinheiro para se comprovar a prática de crime de corrupção passiva. A afirmação foi feita em documento de dez páginas enviado por ele à bancada do PSOL, que lhe havia enviado ofício com uma série de questionamentos levantados pela defesa do presidente Michel Temer. Janot afirma que os há elementos "mais do que suficientes" para enquadrar o presidente como um dos autores do crime.
"Os elementos colhidos se mostraram mais do que suficientes para caracterizar o crime de corrupção, tanto na modalidade aceitação de promessa de vantagem indevida quando na modalidade recebimento, uma vez que os valores foram efetivamente percebidos por intermediário da operação. Importante destacar que não se exige para configuração do crime de corrupção passiva na modalidade recebimento o contato físico com os valores recebidos. Na realidade, em crimes dessa natureza o agente tende a evitar contato físico com os valores ilícitos. Daí a frequente utilização de laranjas, doleiros, empresas de fachada e outros intermediários, os quais destinam-se justamente a garantir que o crime não seja descoberto", escreveu Janot.
