RIO - O motorista Francisco de Assis Lopes, de 53 anos, que guiou o carro alegórico da escola de samba Paraíso do Tuiuti, na madrugada desta segunda-feira, durante o desfile da agremiação, na Sapucaí, deu poucos detalhes na 6ª DP (Cidade Nova) sobre o que resultou no acidente que feriu mais de 20 pessoas após o carro perder o controle. Após prestar depoimento, Francisco fez uma breve declaração:
— Só quero pedir desculpas. Quero pedir desculpas à família de quem está machucado. Me perdoem. Só tenho isso a dizer. Não foi minha culpa.
Os filhos do motorista falaram com jornalistas na delegacia, enquanto o pai prestava depoimento. Segundo eles, foi a primeira vez que o pai trabalhou guiando um carro alegórico. A maior dificuldade, porém, foi criada pela escola de samba.
— Ele não sabia que iria dirigir o carro da forma que foi apresentado a ele. O problema foi o carro acoplado. Ele ficou sem visão do que estava fazendo. Ele não é mecânico para saber os problemas do carro. É condutor do carro — disse Lidiane Isis dos Santos, filha de Francisco.
Lidiane estava ao lado do irmão, Liverton dos Santos Lopes Júnior. Eles aguardam o pai, que se apresentou no início da tarde desta segunda-feira para prestar esclarecimentos à Polícia Civil, que investiga o caso.
A Paraíso do Tuiuti foi a primeira escola do Grupo Especial a desfilar pelo Grupo Especial.
Três permanece internadas. Elisabeth Ferreira Jofre, de 55 anos; e Maria de Lurdes Maura Ferreira, de 58 anos, estão no Hospital municipal Souza Aguiar, no Centro do Rio. As duas saíram do setor de recuperação pós-cirúrgico e foram transferidas para o CTI da unidade. O quadro de saúde de Elisabeth é estável, segundo a Secretaria municipal de Saúde. Já Maria de Lurdes permanece respirando por aparelhos e seu estado de saúde é considerado grave.
Lucia Regina de Mello Freitas, de 56 anos, está internada no Hospital Miguel Couto, na Gávea. Ela está lúcida e orientada e passou por novos exames nesta segunda-feira. Seu quadro de saúde é estável, mas ainda inspira cuidados. De acordo com a secretaria, Lucia Regina deve ser transferida para o CTI ainda nesta segunda.
Das oito que estavam internadas, cinco foram liberadas na manhã desta segunda-feira do hospital Miguel Couto, na Zona Sul da cidade. Doze receberam atendimento médico nos postos do Sambódromo e foram liberadas em seguida.
A polícia realizou a perícia no carro alegórico e uma perícia complementar foi realizada ainda nesta segunda-feira.
Em nota, a agremiação lamentou “profundamente” o ocorrido durante o seu desfile. A diretoria da escola manifestou seu pesar e se prontificou a prestar esclarecimentos assim que as causas fossem apuradas. A escola de samba ainda prometeu “toda a assistência” às vítimas do “irreparável episódio”. A Liesa, liga que organiza o desfile do Grupo Especial, também lamentou “profundamente” o acidente e informou se solidarizar com as vítimas. Todas, segundo a entidade, prontamente socorridas por equipes da Secretaria Municipal de Saúde.

