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Moro mantém prisão de Cabral e determina confisco de R$ 6,6 milhões

SÃO PAULO. O juiz Sergio Moro manteve a prisão cautelar do ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, e de seus dois assessores, Carlos Miranda e Wilson Carlos Carvalho. Para o juiz, a medida é necessária para prevenir o recebimento do saldo da propina em acertos de corrupção, impedir ou dificultar novas formas de ocultação e dissimulação dos valores recebidos em propina, que não foram recuperados. Cabral foi condenado nesta terça-feira a .

Moro determinou ainda o confisco do patrimônio dos condenados de valores equivalentes a R$ 6,6 milhões, o que corresponde ao valor recebido de propina (R$ 2,7 milhões) corrigido monetariamente pelo IGP-M (FGV) desde outubro de 2008 e acrescido de 0,5% de juros ao mês. O juiz lembrou que o dinheiro foi usado na compra de bens de difícil localização e sequestro judicial, o que impede de determinar agora o que deve ser confiscado em bens. Disse ainda que há indícios de que as contas foram esvaziadas.

Cabral havia argumentado que usou para gastos pessoais sobras de caixa 2 de campanha, mas Moro rejeitou a tese. Na sentença, disse que não foi reconhecido pelos acusados que a empreiteira Andrade Gutierrez passou recursos de caixa 2 e que, além disso, os pagamentos foram feitos em 2008, longe das eleições estaduais, que ocorreram em 2006 e 2010.

"Não existe doação eleitoral como comissão por obra pública", afirmou Moro, acrescentando que a propina foi estabelecida como um percentual do contrato da empreiteira.

Moro ressaltou ainda que os cargos na Petrobras era negociados em troca de propina destinada aos políticos.

"Certamente, não se encontra entre as atribuições normais do governador de qualquer Estado empenhar apoio político à indicação ou permanência de alguém no cargo de direção de estatal federal. Entretanto, se na prática isso ocorre, deve ele responder pelo desvio funcional e por corrupção se assim age não para contribuir para o bom governo, mas sim para nomear e sustentar alguém de sua confiança com o intuito de arrecadar ilicitamente recursos para si e para outrem. Há um evidente desvio de função, com a prática de ato pelo governador com o intuito de garantir fonte de recursos ilegal junto à Petrobrás", escreveu.

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