A ideia de deixar o Brasil nasceu de uma conversa em casa. Em entrevista ao canal Two Canadá, no YouTube, o dançarino baiano Edson Cardoso, o Jacaré, contou que a esposa, Gabriela Mesquita, sugeriu montar um plano B diante da rotina de renovar contrato todo ano sem garantia de emprego — uma carreira que, nas palavras dele, dependia de as pessoas continuarem gostando do seu trabalho. O momento coincidia com o fim da passagem pelo É o Tchan e o encerramento do vínculo com a TV Globo, em 2010, quando a "Turma do Didi" saiu do ar.
A mudança se concretizou em 2016, facilitada pelo fato de uma cunhada já morar no país. Os primeiros passos foram no terreno conhecido: ele tentou seguir na área artística e chegou a fazer figuração em séries de TV. A virada veio quando decidiu apostar em outra carreira, entrando em uma empresa que recupera imóveis danificados por alagamentos, incêndios e outros sinistros acionados por seguradoras. Em 2023, a família obteve a residência permanente.
Hoje, aos 54 anos, Jacaré é supervisor do setor responsável por tudo o que existe dentro das casas em obra — móveis, roupas, objetos pessoais. Sua equipe esvazia o imóvel antes da reforma e devolve cada item ao lugar depois que os trabalhos terminam. A atuação profissional se estende ainda a campanhas publicitárias de uma consultoria voltada a brasileiros interessados em emigrar, setor em que Gabriela trabalha como consultora.
O afeto por Salvador, onde nasceu, permanece — mas a decisão de ficar está tomada. Ele diz ter construído tudo no Canadá e conta que os filhos, nascidos no Rio de Janeiro, já se identificam como canadenses. Ao explicar o que o mantém por lá, resume em três pontos: qualidade de vida, poder de compra e segurança, que coloca em primeiro lugar.



Aviso