BRASÍLIA - Integrante da tropa de choque de Michel Temer no Congresso, o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) disse nesta segunda-feira que não há "a menor dúvida" de que a Câmara vai "barrar" eventual denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente, baseada na delação do empresário Joesley Batista. Conforme O GLOBO antecipou hoje, Marun disse que a ideia é resolver o assunto o mais breve possível.
O deputado ainda criticou a atuação de Janot, alegando que o procurador não será imparcial, como pede seu cargo, ao formular denúncia com base em gravação de Joesley cuja perícia ainda não foi concluída. Marun disse ainda que o PSDB, ao não tomar uma decisão, fica no governo, fica onde está.
Outros interlocutores de Temer dentro da Câmara e do Senado disseram que o Congresso não pode ficar paralisado, à espera de uma pauta do procurador e que o mais importante é manter a estabilidade do país.
Marun alegou que a base de Temer tem os 171 votos necessários para evitar que a Câmara autorize a abertura de um processo contra Temer.
— Não existe a menor dúvida de essa denúncia (se for apresentada) vai ser barrada, seja hoje, amanhã ou no mês que vem.E isso por um princípio basilar: a denúncia seria um fruto podre de uma árvore podre, já que seria baseada numa prova que ainda está sendo periciada. Vamos tentra liquidar essa questão com a maior brevidade possível. Não podemos manter a atuação do Legislativo em cima disso — disse Marun, criticando Janot:
— O procurador (ao apresentar a denúncia agora) não estaria adotando uma postura não compatível com a necessária imparcialidade da função.
O deputado disse que Temer disse que o PSDB decide não sair do governo.
— PSDB já está no governo. Então, o adiamento de uma decisão será o significado de que ele fica no governo. E agora esperamos o apoio maciço às reformas _ disse ele.
Já o deputado Alessandro Molon (Rede-RJ) criticou a estratégia da base aliada de agilizar o trâmite de uma eventual denúncia de Janot. Até sexta-feira, o discurso da oposição era justamente de cobrar do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), agilidade na análise de uma eventual denúncia e dos pedidos de impeachment protocolados na Casa contra Temer. Agora, diante da postura governista, a ideia é defender que não haja atropelo nos prazos regimentais.
— Não queremos nem uma postura de engavetar e nem uma via expressa em direção ao túmulo, ou seja, de acelerar. Que queremos o governo pule etapas — disse Molon.

