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Marcelo Miller será investigado por Procuradoria no DF

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BRASÍLIA — O ex-procurador da República passará a ser investigado pelo núcleo de combate à corrupção da Procuradoria da República no Distrito Federal. Pivô de uma possível derrubada do acordo de , Miller já é investigado por duas suspeitas: exercer advocacia no juízo em que atuava antes de um prazo de afastamento de três anos e acesso privilegiado a informações internas do Ministério Público Federal (MPF).

Esse acesso privilegiado levou a "obtenção de resultado que discrepa das outras colaborações firmadas com o MPF", conforme a suspeita expressa em despacho em que houve um declínio de competência sobre o processo do ofício de atos administrativos para o núcleo de combate à corrupção da Procuradoria da República no DF. O ofício com o declínio foi assinado na terça-feira pelo procurador Felipe Fritz.

Miller era investigado somente em razão de um possível descumprimento de quarentena para atuar como advogado. Na segunda-feira, ao abrir procedimento interno para revisar a delação dos executivos da J&F, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, determinou o encaminhamento de cópia do procedimento ao ofício de atos administrativos "para adoção das providências que entender pertinentes". Janot considerou grave a conduta do ex-procurador, com possibilidade de prática de crime.

O procurador que responde pelo ofício decidiu declinar da competência, para que Miller possa ser investigado por suspeita de prática de crime e de improbidade administrativa. O declínio foi no dia seguinte ao procedimento de Janot. A redistribuição do processo, por sorteio eletrônico, foi feita nesta quarta-feira.

"Impõe-se a redistribuição com urgência do feito a um dos ofícios de combate à corrupção", escreveu o procurador Fritz. O processo foi sorteado para o quarto ofício da Procuradoria da República no DF, um dos sete que cuidam de combate à corrupção.

O titular é o procurador Anselmo Lopes, um dos que assinam o acordo de leniência firmado com a J&F. Miller atuou neste acordo, por meio de um escritório de advocacia para o qual trabalhou após deixar o MPF. Anselmo não está respondendo pelo quarto ofício no momento, uma vez que atua na força-tarefa que cuida das Operações Sepsis, Cui Bono e Greenfield. O procurador responsável será Frederico Silveira.

Em conversa gravada e entregue à Procuradoria Geral da República (PGR), os delatores Joesley Batista e Ricardo Saud detalham uma suposta atuação de Miller para os dois, com vista à obtenção da delação na PGR. Naquele momento, em março, ele ainda era procurador da República. A saída definitiva ocorreu em abril. Miller integrou o gabinete de Janot, atuando no grupo de trabalho da Lava-Jato.

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