Fernandão, como era conhecido, estava internado desde 24 de junho no Hospital Israelita Albert Sabin (Tijuca, zona norte). O atestado de óbito informa que ele morreu de "choque séptico, sepse pulmonar (infecção generalizada) e fibrose pulmonar".
Na noite da manifestação, que reuniu cerca de 300 mil pessoas e foi uma das mais violentas do Rio, com intensa repressão policial, Fernandão acompanhava o amigo Vitor Gracciano. "Estávamos na (estação ferroviária) Central do Brasil e falei para o Fernandão que era melhor irmos embora. Mesmo assim, ainda respiramos muito gás, que tomou conta do lugar", disse Gracciano.
No dia seguinte, Fernandão começou a se sentir mal, segundo o amigo. Acabou hospitalizado três dias depois porque vomitava sangue. "Desde então ele piorou e foi para a UTI, onde ficou por três semanas", afirmou Ricardo Rodrigues, outro fundador do movimento. "Ele piorava e melhorava, mas ninguém imaginava que isso ia acontecer."
Os amigos afirmam que o gás lacrimogêneo foi o responsável pela internação de Fernandão. "Com certeza o fato de ter respirado o gás fez que a condição dele piorasse", disse Gracciano, acrescentando que também pegou pneumonia após participar do protesto. "Sofro de bronquite, mas não tinha problemas desde os oito anos. Depois de respirar o gás, fiquei com muita tosse e febre e precisei tomar remédios."
Em vídeo gravado no hospital, Fernandão sustentou que o gás era a razão da piora. "Passei muito mal e tive que ser internado. Se eu não tivesse plano de saúde, já estaria morto", disse ele, que chegou a afirmar que, quando saísse do hospital, protestaria na porta do prédio em que vive o governador Sérgio Cabral (PMDB), no Leblon (zona sul).
Segundo os amigos, Fernandão chegou a ser morador de rua. O único familiar que tem é uma tia. Ele foi enterrado quinta-feira no cemitério Ricardo de Albuquerque, na zona norte.



