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Mãe de menino que teve rosto tatuado sem autorização pede indenização na Justiça

Mãe de menino que teve rosto tatuado sem autorização pede indenização na Justiça
Mãe de menino que teve rosto tatuado sem autorização pede indenização na Justiça

A mãe do menino Ayo, de 4 anos, que teve a imagem de seu rosto tatuado no corpo de um homem desconhecido e sem autorização, entrou com uma ação na Justiça por danos morais contra o tatuador responsável e a 'Tattoo Week'. O caso ocorreu outubro do ano passado durante o evento em São Paulo.

Após tomar conhecimento do caso, Daniele de Oliveira Cantanhede, mais conhecida como Preta Lagbara, denunciou nas redes sociais que não havia autorizado a utilização da imagem do filho, e que o fotógrafo autor do registro também não tinha sido consultado para tal liberação.

Durante a convenção em São Paulo, o tatuador Neto Coutinho ganhou o segundo lugar na categoria Portrait, com a tatuagem do rosto da criança. A reportagem não localizou a defesa de Coutinho.

Já o advogado Helder Galvão, que representa a Tattoo Week, disse que ainda não foi notificado da ação.

"Lamento a falta de diálogo e sucessivos discursos de ódio e incitação à violência que a senhora Daniele de Oliveira Cantanhede vem semeando contra os tatuadores. Estamos amparados pela lei brasileira e não mediremos esforços pelo respeito a todos e as boas práticas. Inclusive lançamos um guia para orientar os tatuadores para exercerem a sua profissão sem temer esse tipo de censura", afirmou.

O manual de boas práticas na tatuagem define, para os profissionais da área, o que é direito autoral e conceitos sobre ele. O material elaborado por Galvão pode ser acessado no site oficial da 'Tattoo Week'.

A 10ª edição do evento ocorre desta sexta-feira (20) até domingo (21) no Rio de Janeiro. No primeiro dia da 'Tattoo Week', Preta Lagbara realizou um ato contra a organização do evento para cobrar justiça pelo caso do filho Ayo.

A família do menino, que mora no Rio, entrou com uma primeira ação, em dezembro, para que a identidade da pessoa tatuada fosse revelada. Agora, uma nova representação foi ajuizada, nesta quarta-feira (18), para pedir indenização tanto para o tatuador Neto Coutinho quanto para a 'Tattoo Week'.

"Após inúmeras tentativas de resolução amigável com o tatuador, não foi possível chegar a um acordo, pois o senhor Neto Coutinho dispensou o antigo advogado, deixando claro que todas as tratativas não tinham validade jurídica. A partir dali, encerramos o diálogo passando tudo a ser resolvido por meio da justiça", informou o advogado Djeff Amadeus.

No dia 23 de dezembro, Neto Coutinho publicou em seu perfil oficial no Instagram que iniciou a cobertura da imagem. "Tão logo o processo natural de cicatrização da tatuagem foi concluído, a cobertura da tatuagem teve início por meio de longa sessão ocorrida no dia 16 de dezembro de 2022, que ao, final, já possibilitou que a imagem da criança fosse coberta por nova tatuagem", informou.

Segundo ele, será realizada mais uma sessão, após o novo processo natural de cicatrização da pele, "para a conclusão da nova arte, agendada para o dia 29 de janeiro de 2023".

O advogado de Preta, Djeff Amadeus, disse, no entanto, que ainda não foi enviado nenhuma prova de que a tatuagem com o rosto da criança começou a ser coberta.

A foto de Ayo que foi tatuada em uma pessoa desconhecida é do fotógrafo Ronald Santos Cruz. Ele, que tem mais de 80 mil seguidores nas redes sociais e é conhecido por retratar pessoas negras no Brasil, fez a imagem do filho de Preta com a autorização dela, em 2022.

Ronald postou nas redes sociais que também não foi consultado pelo tatuador sobre o uso de sua foto. Disse ainda que está com apoio jurídico e vendo a melhor opção para tratar do caso.

"Segundo o tatuador, ele achou a foto no Pinterest e achou que fosse pública, e resolveu tatuar a criança num corpo branco. Olhar o caso como esse é do mínimo absurdo. Primeiro, tem os direitos autorais de pegar a foto. Segundo, é a imagem de uma criança. Terceiro, participa de um prêmio com a foto de uma criança que achou bonito e vai lá tatua. É sem lógica", afirmou.

No ano passado, logo após a repercussão do caso, o tatuador Neto Coutinho publicou uma nota em sua rede social na qual pediu desculpas para a família do menino e para o fotógrafo.

"Assenta-se o total interesse e disponibilidade de o artista em menção resolver possíveis pendências juntamente com o fotógrafo e com a genitora da criança representada na imagem, principalmente diante da importância de todas as questões que circundam o caso", diz o comunicado.

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