BRASÍLIA - Líderes de diferentes partidos reagiram às críticas do presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), à criação do Fundo Eleitoral Público, com R$ 3,6 bilhões. O líder do PT na Câmara, deputado Carlos Zarattini (SP), disse que Maia está querendo "jogar para a plateia", alegando que sem o financiamento público apenas os candidatos com alto poder aquisitivo terão condições de concorrer em 2018.
Zarattini comemorou ainda as resistências ao chamado "distritão". Parte dos partidos do centrão se associa ao PT e à oposição na campanha contra o sistema, que pela reforma política em discussão seria adotado em 2018 e 2020. Nesta sexta-feira, .
— O Rodrigo está querendo jogar para a plateia, para a torcida. Reduzir o valor do Fundo significaria beneficiar os mais ricos, que poderão contar com autofinanciamento e doações individuais. Como ele é do DEM, faz sentido ele dizer isso — ironizou Zarattini.
O petista disse ainda que hoje há uma disputa de igualdade entre aqueles que são a favor e contra o distritão. Dentro da base aliada, PR e PRB, principalmente, têm se manifestado contra o sistema. O "distritão" é o sistema no qual são eleitos os deputados e vereadores mais votados. Hoje, o sistema é proporcional, onde as cadeiras são distribuídas de acordo com os votos dados aos candidatos do partido e da coligação, levando em conta o chamado quociente eleitoral.
Os críticos dizem que o "distritão" vai dar mais chances de os atuais parlamentares serem reeleitos.
— Conseguimos reverter a onda em favor do "distritão". Não sei se vamos ganhar, mas conseguimos reverte — disse Zarattini.
Zarattini lembrou que os R$ 3,6 bilhões representam a meta dos gatos da última eleição, que hoje somariam R$ 7 bilhões.
Vice-líder do PTB e integrante da comissão de reforma política, a deputada Cristiane Brasil (RJ) disse que é preciso haver o Fundo Eleitoral já que o Judiciário acabou com o financiamento privado (de empresas) nas campanhas eleitorais.
— Se o Rodrigo acha que o Fundo Eleitoral está muito alto, tem que discutir com a Justiça Eleitoral — disse Cristiane Brasil.
O líder do PR na Câmara, deputado José Rocha (AP), disse que o Fundo é necessário, mas admitiu que há reação na opinião pública.
— Qualquer valor será criticado — disse José Rocha.
Assim como Zarattini, o líder do PR acredita que aumentaram as resistências ao "distritão". José Rocha admite que o PR e partidos como o PRB resistem ao novo sistema porque ele acaba com a figura dos chamados "puxadores de votos", aqueles que permitem que mais parlamentares da legenda sejam eleitos com seus recordes de votos, porque isso aumentar a fatia de cada sigla (quociente eleitoral).
PR, PCdoB, PT, PRB, vários partidos estão juntos contra o "distritão". Diria hoje que a disputa está meio a meio. Claro que termos puxadores de votos é um dos fatores _ disse José Rocha.
Já a deputada Cristiane Brasil usa esse argumento justamente para defender o "distritão", argumentando que no novo sistema os mais votados serão os eleitos e que as campanhas ficarão mais baratas.
— O "distritão" é a maneira mais rápida de baratear os custos da eleição. E modifica a existência dos puxadores de legenda. Acredito que há mais chances hoje do que na vez anterior de aprovar o "distritão", porque os partidos estão vendo que é a única saída _ disse Cristiane Brasil.
A base aliada do presidente Michel Temer está dividida quanto ao "distritão": PR, PRB são contra, enquanto PTB e PMDB por exemplo, são a favor.

