SÃO PAULO - A poucas horas da votação na Câmara dos Deputados, que vai decidir o destino do presidente Michel Temer e de dois ministros do primeiro escalão, todos denunciados por práticas de corrupção, o ex-presidente Lula disse na manhã desta quarta-feira que existe tratamento diferenciado da Justiça quando o julgado é o PT, seu partido.
Em entrevista à rádio Teófilo Otoni AM, em Minas Gerais, onde realiza a caravana "Lula pelo Brasil, o petista afirmou que há um "comprometimento político das instituições" e que, apesar de o governo ter ministros denunciados, não há movimentação do Supremo Tribunal Federal (STF) para retirá-los do cargo, como aconteceu com o ex-presidente quando ele foi nomeado ministro da Casa Civil pela ex-presidente Dilma Rousseff.
— Eu acho que sempre houve dois pesos e duas medidas com relação ao PT. Você tá lembrado que quando a Dilma me indicou ministro (da Casa Civi), o ministro Gilmar (Mendes) levou dois minutos pra me cassar. Depois, o Temer indicou o Moreira Franco (Secretaria de Governo) e deu posse no dia seguinte sem nenhum problema. É lamentável. De vez em quando eu vejo tratamento diferenciado e fico preocupado — afirmou.
Lula voltou a criticar a atuação de procuradores do Miistério Público Federal (MPF) que atuam na Lava-Jato, onde o ex-presidente já foi condenado a 9 anos e 6 meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e de lavagem de dinheiro e ainda enfrenta outras denúncias. Em tom belicoso mais uma vez, Lula disse que "eles só deram o azar de mexer comigo".
— Quero enfrentá-los pra provar que eles estão mentindo a meu respeito. Eles não esperavam me encontrar, mas encontraram e eu tava no meu lugar quietinho. Aquele Powerpoint que aquele tal de (Deltan) Dallagnol (procurador da República e coordenador da força-tarefa da Lava-Jato) apresentou há uns dois anos atrás, (dizendo) que o PT foi criado pra ser uma organização criminosa, que o Lula precisava ganhar as eleições pra montar a organização pra roubar. Ele pode pensar aquilo da família dele, não do meu partido — atacou.
O ex-presidente também criticou o senador Aécio Neves (PSDB-MG) por ter "plantado ódio", mas concordou com a votação de ministros do STF, que reverteu a decisão da Primeira Turma do Supremo e, com isso, determinou o fim do afastamento do tucano do cargo, imposto no dia 26 de setembro.
— Eu não acho correto um juiz sozinho querer cassar um senador da República. Eu acho que foi correto mandar o Aécio pra ser discutido dentro da Casa (Senado). Se a Casa for absolver é um problema político, que ela pagará o preço por aquilo —argumentou Lula, em entrevista à rádio mineira.
Em seguida, o petista ironizou a situação de Aécio, flagrado em conversa com o empresário Joesley Batista, a quem pediu R$ 2 milhões para pagar advogados que o defendem na Lava-Jato.
— O Aécio tomou um tiro de garrucha e já caíram os tucanos inteiros. Tucano já tinha voo curto, com tirinho de garrucha caiu todo mundo. Quem tiver o rabo preso que pague. Eles (policiais federais que levaram Lula para depor em março de 2016 em condução coercitiva) foram na minha casa, invadiram minha casa, abriram tampa de fogão, televisão, levantaram colchão. Todo mundo com máquina fotográfica no peito. Não encontraram nada, mas não tiveram coragem de ir pra televisão pedir desculpa.

