Frederico Sobrinho, que é também presidente da Associação Nacional do Ouro (Anoro), entidade de defesa dos garimpeiros, foi levado para a superintendência da Polícia Federal em São Paulo, onde ficou detido.
Em maio, a Polícia Federal apreendeu, na Rodovia Castelo Branco, em Itu, um carregamento de 77 kg de ouro, avaliado em R$ 23 milhões, que era transportado para uma das empresas de Sobrinho, a FD Gold, distribuidora de valores com sede na Avenida Paulista, na capital. Na época, o empresário gravou um vídeo afirmando que o metal tinha sido extraído legalmente de lavra garimpeira concedida, não pertencendo a terras indígenas, nem a garimpos ilegais.
O episódio chamou a atenção porque as barras de ouro eram escoltadas por quatro policiais militares, entre eles um tenente-coronel da Casa Militar, órgão do gabinete do governador, responsável pela segurança do Palácio dos Bandeirantes. Quando a apreensão aconteceu, o oficial da PM estava licenciado do cargo. Naquela oportunidade, os policiais alegaram que apoiavam o transporte de valor para uma empresa devidamente legalizada.
As barras de ouro foram transportadas em um avião turboélice do empresário que estava bloqueado pela Justiça e não poderia voar, por isso era monitorado pela PF. A aeronave pousou no aeroporto de Sorocaba, onde o metal foi transferido para um carro e era levado para a capital.
A PF abriu inquérito para averiguar se houve prática dos crimes de usurpação de bens da União e receptação dolosa. Segundo documentos apreendidos, a carga de ouro saiu de garimpos do Mato Grosso e do Pará. A Polícia Federal foi consultada pela reportagem sobre o andamento da investigação, mas não deu retorno.
A empresa FD Gold é alvo de ação judicial para suspender suas operações por suspeita de garimpo ilegal. A ação tramita na Justiça Federal de Itaituba, no Pará. O Ministério Público Federal daquele estado acusa a empresa de Frederico e outras duas empresas do setor de terem negociado no mercado nacional e internacional mais de 4,3 toneladas de ouro ilegal nos anos de 2019 e 2020.
Segundo a denúncia, só a FD Gold comercializou 1,3 tonelada de ouro, segundo o MPF, extraído de garimpos ilegais na região sudoeste do Pará. Conforme o órgão federal, outros inquéritos e investigações sobre a atuação da empresa de Dirceu Frederico estão em andamento em caráter sigiloso. No vídeo que divulgou em sua defesa, o dono da FD Gold negou também essas acusações.
A Justiça Federal de Porto Velho informou que o processo envolvendo Frederico Sobrinho está com sigilo decretado. Procurado, o MPF de Rondônia não deu retorno. A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo ainda não deu retorno sobre as circunstâncias da prisão do empresário do ouro.
Também procuradas, a assessoria de imprensa da FD Gold, a defesa de Frederico Sobrinho e a Anoro não tinham respondido aos questionamentos até o encerramento da reportagem.

