A decisão foi do juiz Alexandre Abrahão Dias Teixeira, da 3ª Vara Criminal do Rio. "Somente a manutenção da prisão de Cíntia possibilitará a eventual aplicação da lei penal e a instantânea garantia da ordem pública, evitando-se a reiteração criminosa, o que já se viu nestes autos em razão do surgimento de elementos do segundo fato agora melhor apurado. Tal medida se mostra indispensável para o êxito da investigação criminal", escreveu.
No dia 15 de maio, Bruno almoçou na casa que seu pai, Adeílson Cabral, e passou mal após a refeição - ele reclamou do gosto do feijão e estranhou a presença de uma substância azul. O adolescente se sentiu zonzo, ficou molhado de suor e logo não conseguia mais falar, com a língua enrolando. Foi internado no hospital municipal Albert Schweitzer, em Realengo (zona oeste do Rio), e conseguiu se recuperar da intoxicação - teve alta no dia 19.
Cintia foi presa no dia 20. Inicialmente ela afirmou à Polícia Civil que a substância azul detectada no feijão era um tempero industrializado para alimentos. Depois, em depoimento oficial e acompanhado por advogado, manteve-se em silêncio.
O exame médico do suco gástrico retirado do estômago de Bruno não encontrou veneno, que é rapidamente absorvido pelo organismo, mas identificou quatro cápsulas semelhantes às usadas para abrigar veneno de rato. "O exame realizado no laboratório do Instituto Médico Legal revelou a presença de quatro grânulos esféricos diminutos, de coloração azul escura, forma esta de apresentação de raticida amplamente e clandestinamente comercializado, conhecido como 'chumbinho'", diz o laudo. "O quadro clínico e a apresentação dos grânulos revelam quadro clássico de intoxicação por raticidas, carbamatos, aldicarb. Caso a vítima não tivesse sido submetida a tratamento imediato, como ocorreu, provavelmente teria evoluído para o óbito", segue o documento.
A partir da suposta tentativa de matar o enteado, a madrasta começou a ser investigada também pela morte da irmã de Bruno, Fernanda. Ela morreu em março, após apresentar sintomas semelhantes aos do irmão e ser internada no mesmo hospital. Na ocasião, no entanto, ainda não havia suspeita de envenenamento, e não houve tratamento específico para isso. O corpo de Fernanda foi exumado em 26 de maio e estão sendo feitos exames para tentar identificar sinais de envenenamento.
Consultada pela reportagem sobre a prorrogação da prisão temporária, a defesa de Cíntia não havia se pronunciado até a publicação deste texto.

