A Justiça da Inglaterra avança no caso do rompimento da barragem da Samarco, em Mariana (MG). O Tribunal Superior de Justiça de Londres condenou nesta sexta (14) a mineradora BHP pelo crime socioambiental que completa dez anos, e marcou para 17 e 18 de dezembro as audiências que definirão os próximos passos e prazos do processo.
A fase de definição das reparações começará em outubro de 2026, quando o juiz responsável passará a mensurar os prejuízos das vítimas. Segundo a advogada Caroline Narvaez, casos individuais — como o de um pescador que perdeu renda e laços comunitários — servirão de referência para calcular danos de grupos inteiros que não conseguem comprovar todas as perdas. Ela reforça que a etapa analisará impactos que vão de perdas materiais à destruição de comunidades inteiras, incluindo quilombolas e tradicionais.
Caroline classificou como “inconcebível” que BHP e Samarco tenham elevado as barragens mesmo após atingirem o limite de operação, ignorando riscos claros. O desastre deixou 19 mortos, destruiu plantações, casas, ecossistemas e contaminou toda a bacia do Rio Doce, afetando cidades de Minas e do Espírito Santo até o Oceano Atlântico — apesar de alegações da Samarco de que as condições ambientais teriam voltado ao normal.

