O casal Sari Corte Real e Sérgio Hacker, ex-patrões da mãe e da avó de Miguel, tiveram o bloqueio de R$ 2 milhões em bens decretado pela 21ª Vara do Trabalho em Pernambuco. A decisão cautelar, assinada pelo juiz substituto José Augusto Segundo Neto, foi tomada a partir de uma ação civil pública do Ministério Público do Trabalho (MPT) no estado.
Segundo um site de notícias do Globo, o bloqueio de até R$ 2 milhões inclui móveis, imóveis, ativos financeiros, participações em sociedades, títulos da dívida pública e demais títulos negociáveis em bolsas de valores. Os dois réus têm até 15 dias para apresentarem defesa.
Na decisão, proferida na quinta-feira (1), o juiz cita a morte do filho da ex-empregada doméstica do casal e diz que "o fato ultrapassou as fronteiras da cidade e do país, causando repulsa à Organização das Nações Unidas". O fato de a mãe e a avó de Miguel, Mirtes e Marta, respectivamente, estarem nos quadros funcionais da prefeitura de Tamandaré, também foi mencionado pelo magistrado.
"A tragédia traz consigo vários questionamentos: da superexploração do trabalho ao preconceito do labor doméstico e ao preconceito racial, passando por improbidade administrativa, que aqui aparece de forma subjacente. Não se trata, pois, apenas de interesse individual de dois ou três empregados", afirmou o juiz, na decisão.
Candidato a reeleição no município de Tamandaré em 2020, Sérgio Hacker (PSB) declarou à Justiça Eleitoral ter R$ 720 mil em bens, incluindo R$ 100 mil em espécie, um veículo de R$ 50 mil e R$ 570 mil em quotas e quinhões de capital.


