Forças Armadas têm 68% da confiança dos brasileiros
O Índice de Confiança na Justiça (ICJBrasil), aferido pela Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getulio Vargas nos segundo e terceiro trimestres de 2014, apurou que apenas 29% da população confia na Justiça como instituição e no Judiciário como Poder, capazes de solucionar seus conflitos. Os dados se referem até o final do terceiro trimestre de 2014 (antes das eleições).
Além do Judiciário, apenas os partidos políticos mantiveram o mesmo índice de confiança (6%), permanecendo no último lugar do ranking.

Todas as outras instituições tiveram um avanço no ano. A instituição em que o brasileiro mais confia continua sendo as Forças Armadas, que passou de 66% para 68% entre 2013 e 2014, seguida pela Igreja Católica (56% para 59%), Ministério Público (45% para 50%); grandes empresas (37% para 43%); imprensa escrita (41% para 43%); polícia (31% para 36%); emissoras de tevê (30% para 33%); Governo Federal (27% para 29%); e Congresso Nacional (15% para 19%).
“Analisando-se a confiança nas instituições em cada um dos trimestres examinados ao longo dos últimos cinco anos, verifica-se uma queda sistemática na confiança dos cidadãos no Judiciário” – diz Luciana Gross Cunha, coordenadora do ICJ. Ela chama a atenção para o fato de que desde 2011, quando o ICJ apontava uma confiança de 39% no Judiciário, este teve uma queda de 10 pontos percentuais.
Este resultado, segundo a professora, “pode ser atribuído ao aumento da exposição do Judiciário na mídia, principalmente no que se refere aos escândalos envolvendo agentes da Justiça”.
Contribui para este desempenho, a percepção de que, “para 89% dos entrevistados, o Judiciário é lento”; 77% afirmam que o Judiciário é caro; e 66% consideram o Judiciário é difícil de ser acessado.
Já 62% dos entrevistados acreditam que o Judiciário é nada ou pouco honesto; e, por fim, 59% dos respondentes acreditam que o Judiciário é nada ou pouco independente.
O ICJBrasil mensura a confiança da população no Judiciário brasileiro desde 2009. Entre 2014 e 2013, verifica-se uma queda no indicador, de 5,1 para 4,6 pontos, numa escala de 0 a 10. Essa pontuação é calculada com base em dois subíndices.
O subíndice de comportamento, que afere se, em determinados casos concretos, o cidadão recorreria ao Judiciário para resolver seus conflitos; e o subíndice de percepção, que verifica o sentimento da população em relação ao Judiciário no que se refere à celeridade, honestidade, neutralidade e custos de acesso.
No mesmo período, esses subíndices foram, respectivamente, de 8,3 pontos e 3,1 pontos (sempre em uma escala de 0 a 10).
O ICJBrasil entrevistou 3.300 pessoas de oito unidades federativas (Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. A amostra representa 55% da população brasileira com 18 anos ou mais, segundo dados do Censo 2010.
Fonte: Espaço Vital



