Carismática e generosa, a ponto de flertar com um de seus fãs e receber um ursinho de pelúcia de outro, ela sabe que tem pouco tempo e tenta usá-lo bem. A certa altura do show, faz uma espécie de "Paz do Senhor" pedindo que cada um abraçasse aquele desconhecido que está a seu lado. Mas o que acontece é mais constrangimento do que entrega. Como uma antítese de Beyoncé, sem trocas de figurino ou outras superproduções, apostou no palco limpo (a banda ficava bem atrás) e na música. E boas músicas, como Laserlight, Wild, I found lovin, Ain't nobody, Emotions, Never too much, Abracadabra, Do it like dude e Excuse my rude.
Antes do final de Domino, fez uma arrasadora versão para I Don't Wanna Miss a Thing, um torpedo do Aerosmith. O único figurino que usou, quando não se enrolou na bandeira do Brasil ou pegou um boné emprestado de um fã, foi um vestido de traços futuristas e cores tropicais, curiosamente escolhido por ela por meio de um concurso lançado na internet meses antes de embarcar para o Brasil.
A autora da peça, uma mexicana chamada Zuri Herrera que ganhou US$ 2 mil peça façanha, explicou ter se inspirado em "pássaros brasileiros que nascem em gaiolas com medo da liberdade". O concurso escolhia exclusivamente o vestido para a apresentação de Jesse no Brasil. Jesse mostrou em sua hora de show ser produto de uma escola de canto negro norte-americano, de notas rápidas e agudas cheias de referências das grandes divas do soul. Quando não faz baladas de amor, investe em um hip hop (presentes em Do it Like Dude e Excuse My Rude) dos novos tempos, embalados, aí sim, por uma superprodução. Seu show vira muitas vezes a pista de dança eletrônica de David Guetta. Mas aqui, não resta dúvidas, é ela mesmo quem canta. Sem playback.



