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Jairinho era citado por ligação com milícias em disque-denúncia há 10 anos

Jairinho era citado por ligação com milícias em disque-denúncia há 10 anos
Jairinho era citado por ligação com milícias em disque-denúncia há 10 anos

Desde 2004, o vereador Dr. Jairinho, preso suspeito de ter assassinado o enteado, Henry Borel, de 4 anos, foi denunciado em 37 ligações anônimas ao Disque Denúncia, a maioria ligando o vereador à milícia do Rio de Janeiro.

De acordo com a Folha de S. Paulo, a maioria das ligações denunciavam situações ligadas às eleições municipais, se referindo aos bairros da zona Oeste como Bangu, Padre Miguel e Realengo, no reduto eleitoral da família de Jairinho.

Em 15 das ligações, pessoas mencionaram o nome de Jairinho, muitas vezes relacionado ao do pai, o ex-deputado estadual Coronel Jairo, e também relacionaram o vereador a bicheiros, milicianos ou traficantes.

A denúncia mais grave é relacionada a dois assassinatos em janeiro de 2009, em um bar de Bangu. Um dos assassinados seria ex-funcionário de Jairinho e do Coronel Jairo, seu pai, e teria discutido com um “gerenciador da campanha” do vereador.  

Em uma das ligações ao Disque-denúncia do Rio, o denunciante afirma que em agosto de 2008, um condomínio em Bangu foi invadido por 3 milicianos armados para colocarem placas de propaganda eleitoral do candidato a vereador Jairinho. Ele afirma que os moradores ficaram “horrorizados com a quantidade de placas, mas não podem removê-las por medo”.

Depois de 5 dias, outra denúncia afirmou que todos os dias vários traficantes são vistos em um lugar de Realengo, obrigando moradores a votarem em Jairinho, e que eles receberam dinheiro para a ação, “com o patrocínio do pai”.

Compra de votos é o segundo motivo mais denunciado nas ligações. Uma delas, em julho de 2004, fala sobre a distribuição de cestas básicas com esse objetivo. Em setembro, outros dois relatos denunciaram que o candidato mandou que indivíduos fizessem um buraco em uma rua em realengo, para levar água para outra área “em troca de votos”.

Em 2014, um denunciante afirmou que o vereador e seu pai estavam reformando um condomínio, com blocos, quadra esportiva e salão de festas, além de iluminação, bancados pelos dois.

Em outra ligação, ainda segundo a reportagem da Folha, o denunciante afirma que a dupla oferecia empregos e burlava a fila do programa Minha Casa, Minha Vida, em troca dos votos.

Houve ainda 6 denúncias, em 2004, 2012 e 2020, sobre patrocínio de festas e baile funk em períodos pré-eleitorais, ou em apoio a traficantes, com perturbação a moradores diante do barulho da festa e das badernas.

 As informações do Disque Denúncia são encaminhadas às autoridades como o batalhão da Polícia Militar e à delegacia da área, ou ao Tribunal Regional Eleitoral. 

Conforme a publicação, Jairinho e o pai já foram citados como líderes de milícias, respectivamente, 13 e 5 vezes, em, um estudo de 2007 e 2008 com os moradores de áreas dominadas por esses grupos na zona Oeste, feito pelo sociólogo Ignácio Cano, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. 

O coronel Jairo foi citado no relatório da CPI das Milícias mas não chegou a ser indiciado por não haver provas.

Sessão de tortura - O vereador e o pai também foram acusados por um jornalista de ter participado de uma sessão de torturas feita por milicianos na Favela do Batan contra a equipe de reportagem do jornal “O Dia” em 2008. 

No texto “Minha Dor Não Sai no Jornal”, o fotógrafo Nilton Claudino conta detalhes da sessão de tortura da qual foi vítima, em que estariam presentes o vereador e o pai.

Em 2018, Coronel Jairo foi preso temporariamente pela Polícia Federal no âmbito da Operação Furna da Onça, acusado de receber R$ 50 mil mensais para que votasse na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) de acordo com os interesses do grupo político comandado pelo ex-governador Sérgio Cabral, entre outras acusações.

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