O promotor de Justiça Roberto Bodini disse na tarde de quinta-feira, 21, que identificou uma movimentação financeira "com todos os elementos da prática de lavagem de dinheiro". Aurélio Garcia comprou três flats na Rua Bela Cintra, no centro da capital, para os fiscais Ronilson Bezerra Rodrigues, Eduardo Horle Barcellos e Fábio Remesso, três dos investigados.
Barcellos, em depoimento, já havia dito que Garcia havia feito a transação. Na tarde desta quinta-feira, o Ministério Público Estadual (MPE) confirmou com a incorporadora Even, que vendia os flats, que Aurélio Garcia é o proprietário dos imóveis, e identificou também transferências das contas dos fiscais para ele, referentes à operação. "Garcia vai ser investigado por lavagem de dinheiro e poderá se explicar", disse o promotor.
Cofre
O Ministério Público abriu nesta quinta um cofre portátil que havia sido apreendido no chamado "ninho da corrupção" - uma sala comercial alugada por Garcia e usada pelo fiscal Rodrigues no Largo da Misericórdia, centro de São Paulo. Antes da abertura do cofre, Bodini convocou advogados tanto de Rodrigues, que usava a sala, quanto de Aurélio Garcia, locatário do imóvel, e eles disseram que os clientes não eram donos do cofre portátil.
Após a abertura, verificou-se que havia R$ 88 mil em notas dentro do cofre. Os advogados mantiveram a versão de que o dinheiro não pertencia aos clientes. "Como o dinheiro não tem dono, vou requisitar à Justiça que ele seja enviado a alguma instituição de caridade", disse o promotor.

