RIO - Uma semana sim, outra também, as TVs reproduzem as imagens de depoimentos dos processos do ex-governador do Rio Sérgio Cabral na 7ª Vara Federal Criminal do Rio, onde são julgados os casos da Lava-Jato no estado. Mas, há um punhado de cenas de bastidores que ficam por contar e envolve dramas familiares, momentos cômicos e outras tantas curiosidades. É a Lava-Jato que não é a das declarações sobre propinas.
Essas gravações reproduzidas na TV são coordenadas pelo próprio juiz Marcelo Bretas, que, com um controle remoto em mãos, desloca a câmera para um lado e para o outro. Cabral já brincou com esse "trabalho extra" do magistrado:
- Vejo que vossa excelência é o editor da área. Como sou jornalista, reparei logo que é o senhor quem faz a edição.
No depoimento de um empreiteiro, a gravação falhou. Buscaram o empresário corredor afora, quando ele já se preparava para ir embora. Ele teve que repetir tudo.
- Acredite, isso é mais difícil para mim do que para o senhor - lamentou Bretas.
Por falar em imagens, Cabral já reclamou que os telejornais sempre colocam o vídeo em que ele aparece em Curitiba, com as mãos para trás, como se estivesse algemado.
Quando o ex-governador depõe no mesmo dia que a sua mulher, a ex-primeira-dama Adriana Ancelmo, Bretas, a pedido das defesas, concede dez minutos para que o casal possa conversar. Sempre acompanhados da escolta.
Nos depoimentos, os réus aproveitam mesmo é para ficar perto da família. Operador de Cabral, delator e preso desde novembro de 2016, Carlos Miranda conheceu a neta recém-nascida na sala de audiências, durante um depoimento em outubro. Perguntou ao juiz se podia pegá-la no colo, o que foi atendido.
- Isso dá energia para um mês, né? - sussurrou para Miranda o empresário Marco Antônio De Luca, acusado de pagar propina a Cabral.
O próprio De Luca protagonizou um momento cômico na mesma audiência. A defesa do ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ) Jonas Lopes pediu que o empresário, citado pelo ex-conselheiro em delação premiada, não estivesse na sala durante o depoimento. Bretas disse que, se quisesse, De Luca poderia ficar ao lado de fora com a mulher, ao que o empresário deu um pulo da cadeira.
- Só se for agora. Agora, eu gostei - disse, arrancando a risada dos presentes.
Em outro momento engraçado, o publicitário Maurício Cabral, irmão do ex-governador, se dirigiu aos jornalistas ao fim de um depoimento:
- Vocês ficaram com alguma dúvida? - perguntou, arrancando riso dos repórteres.

