Com o país inteiro à espera de vacinas e várias cidades suspendendo a campanha por falta de doses, o Governo se vê em maus lençóis após apresentar um cronograma de entrega de vacinas que não poderá cumprir.
A promessa era de que o país teria 11,3 milhões de doses do imunizante ainda neste mês de fevereiro para distribuição, contudo só deve receber 5,6 milhões, ou seja, metade do esperado.
O problema se deve a dois fatores, primeiro ao atraso na chegada de insumos para a fabricação da Coronavac e a segunda referente às doses da vacina de Oxford, que já deveriam estar em território brasileiro, mas não até o momento não tem data para chegar.
Ao apresentar o cronograma aos governos estaduais, o ministro da Saúde Eduardo Pazuello contava com doses que ainda não tinham sido produzidas e garantiu algo que não poderia.
A quebra da promessa acabou aumentando a tensão entre a pasta e o Instituto Butantan, responsável pela fabricação da Coronavac, uma vez que o Governo jogou a culpa para ele.
O Butantan por sua vez, se manifestou e afirma que os insumos atrasaram porque o Governo não mantém uma boa relação diplomática com a China, de onde vem a matéria-prima, e acaba atrapalhando o processo.
Nesse jogo de vai e vem o Instituto afirma que já entregou cerca de 1,1 milhão de doses em 5 de fevereiro e que a partir de terça-feira (23), deve entregar uma média de 426 mil doses por dia. Mesmo assim, a conta do Ministério da Saúde não deve fechar.
No Amazonas, por exemplo, onde Pazuello prometeu iniciar a vacinação para o público de 50 a 69 anos nesta segunda-feira (22), o plano já foi adiado porque o estado não recebeu novas doses e as que tem ainda estão sendo usadas na imunização de profissionais de saúde e idosos acima de 70 anos.

