Padilha também rebateu a acusação de que médicos cubanos teriam os passaportes recolhidos. "Podem checar", afirmou, sugerindo ainda que deputados avaliassem as condições de trabalho dos profissionais. Pouco antes, o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) havia dito que os passaportes ficariam retidos, que prefeitos seriam "inocentes-úteis e corresponsáveis pelo pagamento de trabalho escravo", como ele caracterizou o serviço dos cubanos. "Ministério Público do Trabalho e procuradores regionais, por sugestão nossa, vão acompanhar in loco a atuação deles", disse Padilha. Ele sugeriu que deputados também fizessem esse acompanhamento.
Depoimento
Entre os ouvidos na audiência, estava o médico cubano Carlos Gimenez, que fugiu do país, passou por um período na Bolívia e está no Brasil há 12 anos. Durante o discurso, interrompido por aplausos e muitas vaias, Gimenez afirmou ser favorável ao programa. Ressaltou que médicos cubanos têm ótima formação, mas defendeu a necessidade de se assegurar para esses profissionais um tratamento semelhante ao que é concedido para os demais estrangeiros pelo governo federal. "Os cubanos não precisam ter um vínculo empregatício em Cuba. Lá, eles trabalham 60, 70 horas e ganham R$ 70. Eles vêm felizes para cá, pois vão ganhar US$ 200, US$ 300. O resto quem vai embolsar é o patrão, o explorador, a ditadura."

