Governadores se reuniram nesta sexta-feira (16) por vídeoconferência no Fórum dos Governadores, para fazer um apelo por “ajuda humanitária” da Organização das Nações Unidas (ONU), na compra das vacinas e kits intubação - remédios e sedativos para tratar os pacientes graves de Covid-19.
Os representantes conversaram com a secretária-geral adjunta da ONU, Amina Mohamed, sobre a situação dos hospitais brasileiros, em que pacientes já chegaram a ser amarrados nos leitos de UTI devido à falta de sedativos para a intubação.
“São 11 estados em que pacientes estão internados e faltam analgésicos, sedativos, em alguns lugares oxigênio. Ou seja, há necessidade de a ONU dar essa ajuda humanitária nessa direção”, afirmou o governador Wellington Dias (PT), que coordena o tema vacina no fórum dos governadores.
"Desde o começo, nós colocamos claramente: ‘Nós queremos o presidente da República, queremos o ministro da Saúde na coordenação nacional’. O que esperamos? O presidente da República fazer essa relação. Por que nós estamos indo à ONU? Porque o presidente da República, que era para ir, não foi. Nós estamos buscando", disse ele à imprensa após a reunião.
"A falta de uma coordenação nacional integrada é responsável por muitos dos resultados graves, [por] essa tragédia que aconteceu no Brasil", afirmou, segundo o G1.
A preocupação do governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB) da suspensão temporária das patentes das vacinas contra a Covid-19, também foi exposta na reunião. "Vários organismos e países têm destacado que as cartas de direito do sistema ONU consagram a função social da propriedade e da propriedade intelectual. Talvez a temática da suspensão temporária de direitos de propriedade intelectual, a chamada quebra de patentes, seja um tema inevitável em nível global", afirmou.
Os governadores pedem que a Universidade de Oxford autorize a antecipação da produção do ingrediente farmacêutico ativo (IFA) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). "Isso vai ser bom para o Brasil e para o mundo. Sensibilizar a ONU dessa ajuda humanitária que estamos pedindo ao mundo e aos EUA, que tem produção já realizada e que não está em uso e poderia ser utilizada para o Brasil e outros países com baixa vacinação", explicou.
Além da vídeoconferência, governadores enviaram à ONU uma carta com cinco pontos detalhados do combate à pandemia.
1. Que seja cumprido o cronograma do consórcio internacional Covax Facility;
2. Que a ONU dialogue com a União Europeia, Índia e China para que o Brasil tenha prioridade na entrega de IFA;
3. Que a ONU atue junto à AstraZeneca e ao Sinovac para antecipar a produção de IFA no Brasil;
4, Que a ONU atue para que os Estados Unidos vendam ou emprestar as vacinas da AstraZeneca que os EUA têm estocadas;
5. Que a ONU ajudasse o Brasil a obter medicamentos e sedativos utilizados para a sedação e intubação de pacientes.

