Com base em uma análise das mudanças na topografia das geleiras desde 1931, eles estimam que o volume de gelo encolheu pela metade nos 85 anos que se seguiram até 2016. Desde então, as geleiras teriam perdido mais 12% de volume, em apenas seis anos. "O derretimento está acelerando. Observar de perto esse fenômeno e quantificar suas dimensões históricas é importante porque nos permite inferir as respostas das geleiras a uma mudança climática", disse Daniel Farinotti, coautor do estudo, que foi publicado na revista científica The Cryosphere .
A área coberta pelas geleiras da Suíça corresponde a cerca de metade de todas as geleiras dos Alpes europeus. Para o estudo, as equipes se basearam em uma combinação de observações de longo prazo delas, que incluiu medições em campo e fotografias aéreas e no topo da montanha - incluindo 22 mil tiradas entre as duas guerras mundiais. Apenas algumas das geleiras do país foram estudadas regularmente ao longo dos anos, mas os pesquisadores puderam preencher as lacunas comparando a forma e posição das imagens e usando câmeras e instrumentos para medir os ângulos de algumas áreas.
As equipes compararam a topografia da superfície das geleiras em diferentes momentos, o que permitiu os cálculos sobre as mudanças nos volumes de gelo. Nem todas as geleiras suíças estão perdendo gelo na mesma proporção, informaram os cientistas. Altitude, quantidade de detritos e a inclinação de seu "focinho" (sua parte mais baixa, que é a mais vulnerável ao derretimento) são alguns dos fatores que afetam a velocidade de recuo do gelo.
Os pesquisadores também descobriram que em dois períodos - nas décadas de 1920 e 1980 - houve um crescimento eventual da massa glacial, mas isso foi ofuscado pela tendência de declínio, que é maior. As descobertas podem ter diversas implicações para as fontes de energia da Suíça a longo prazo, já que a energia hidrelétrica corresponde a 60% da eletricidade do país, segundo dados do governo suíço. Fonte: Associated Press.

