BRASÍLIA — O ex-ministro pediu que o inquérito no qual é investigado por organização criminosa na Operação continue no Supremo Tribunal Federal () e não seja enviado para o juiz federal . E mais: solicitou que o processo fique parado enquanto o presidente continuar no cargo. O mandato dele vai até 1º de janeiro de 2019.
O inquérito — chamado informalmente de "quadrilhão do PMDB da Câmara" — é o mesmo em que o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot denunciou Temer. Mas como a Câmara não deu autorização para o prosseguimento, a parte do inquérito que trata de Temer e dos ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha, e da Secretaria Geral da Presidência, Moreira Franco, está paralisada. No caso dos demais investigados por organização criminosa, caso de Geddel, o ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato no STF, mandou o processo para Moro.
A defesa de Geddel alegou que há conexão entre os fatos ainda investigados no STF e aqueles mandados para a Justiça Federal de Curitiba. Por isso tudo deve ficar na mais alta corte do país. Alternativamente, solicita que, se mantida a decisão de enviar para a primeira instância, o caso seja remetido para a Justiça Federal de Brasília, onde os supostos crimes teriam ocorrido.
O pedido é para que o ministro Fachin reconsidere sua decisão ou, pelo menos, envie o caso para julgamento na Segunda Turma do STF. Além de Fachin, também integram a turma os ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello.
A defesa de Geddel disse ainda que as acusações do Ministério Público Federal (MPF) contra ele são absurdas e representam "uma reprovável e infrutífera tentativa de transformar a atividade política, legitimamente exercida por este recorrente, ao longo de tantos anos, investido pelo voto popular, em prática criminosa".
Na semana passada, a defesa de Temer fez um pedido parecido ao STF. Seus advogados sugeriram que Fachin reveja sua decisão de mandar parte do processo para a primeira instância. Caso a proposta seja aceita, isso significa paralisar o processo contra alguns investigados, como Geddel, os ex-presidentes da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Henrique Alves (PMDB-RN), e o ex-assessor presidencial Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR). Isso ocorreria enquanto Temer continuar no cargo de presidente.
Um dos argumentos da defesa de Temer é de que, no caso do delito de organização criminosa, quem teve o processo enviado para a primeira instância poderá se defender. E, embora a investigação não tenha mais Temer como alvo, poderá resvalar nele, uma vez que trata de fatos conexos. Os advogados de Temer avaliaram que o melhor é manter todo o processo unido - e parado - no STF. A defesa disse ainda que a denúncia de Janot, apontando o presidente como líder da organização, é absurda.

