BRASÍLIA — O operador afirmou que ex-vice-presidente da Caixa atribuiu a ele irregularidades nas quais ele não teve participação. Os dois prestaram depoimento na 10ª Vara Federal de Brasília, em um processo onde são réus por suspeitas de ter desviado dinheiro do Fundo de Investimentos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS), administrado pela Caixa Econômica Federal (CEF).
Além deles, os ex-presidentes da Câmara Eduardo Cunha e Henrique Eduardo Alves e o empresário Alexandre Margotto também são réus no processo. O depoimento de Cleto começou na quinta-feira e foi concluído nesta sexta. Depois dele, foram ouvidos Margotto e Funaro. Os três realizaram acordo de delação premiada. Cunha e Alves ainda serão ouvidos.
No começo de seu depoimento, Funaro disse ainda que sua delação foi feita de livre e espontânea vontade. Depois, partiu para cima de Cleto.
— Não é verdade o que Fábio Cleto disse, que todas as operações (em que houve irregularidades na Caixa) são de responsabilidade minha e de Eduardo Cunha. São de responsabilidade minha BR Vias e Eldorado — disse Funaro, citando duas empresas que conseguiram crédito no banco.
Ele acrescentou que recebeu propina em outros casos, como os referentes à empresa Haztec e o projeto Porto Maravilha, no Rio de Janeiro. Em relação a outros casos citados por Cleto, disse desconhecer qualquer tratativa.
— A tabela que Fábio Cleto fez é completamente errônea — resumiu Funaro.
Ele fez ainda outro ataque ao ex-vice-presidente da Caixa, que teve uma passagem pelo Itaú antes de ingressar no banco estatal.
— Ele (Cleto) tinha uma mancha negra nas costas. Ele saiu do Itaú porque foi pego roubando. Ele saiu com fama de ser ladrão - disse Funaro, acrescentando: — Não tenho nenhuma mágoa dele (Alexandre Margotto), não tenho mágoa do Eduardo Cunha. A única mágoa que tenho foi de ter indicado Cleto (para a Caixa). Foi um lapso que deve ter dado na minha cabeça.
O operador contou ainda que não gostava de trabalhar com dinheiro vivo.
— Dinheiro vivo é chato, tem risco de assalto — explicou.
A Polícia Federal (PF) finalizou a perícia de vídeos entregues por Funaro . A informação foi dada pela defesa de Funaro. O delator chegou a dizer que os vídeos, gravados em seu escritório, eram referentes a oito anos. Mas o advogado afirmou que as imagens não têm sequer áudio e abrangem um período de poucos dias.
Os advogados Délio Lins e Silva e Marcelo Leal, que defendem respectivamente Eduardo Cunha Henrique Alves reclamaram. Eles queriam ter acesso às informações desses vídeos primeiramente. A defesa de Funaro, porém, alegou que as imagens não dizem respeito ao processo em que eles são réus e no qual estão sendo prestados depoimentos.
— Foi entregue um aparelho de DVR para análise do Instituto de Criminalística para perícia. Não quer dizer que os fatos que estão lá serão usados neste processo —disse Funaro.
— São imagens sem áudio, de poucos dias. A perícia está finalizada —disse um dos advogados do delator.

